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O CAPITALISMO DE VIGILÂNCIA NAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS DE 2026
Por Manoel Xavier Pires Neto* A aproximação do segundo turno do pleito presidencial de 2026 expõe um cenário em que a disputa pelo voto ocorre primariamente nas camadas silenciosas da mediação tecnológica. Longe dos palanques tradicionais, a formação das preferências políticas passa pela filtragem opaca de fluxos de informação customizados para cada indivíduo. A liturgia democrática perde gradualmente sua espontaneidade cívica enquanto operadores partidários convertem o cotid

Manoel Xavier Pires Neto
há 5 dias7 min de leitura


APELO PELO VOTO CONTRA O FASCISMO
Por Gustavo Biscaia de Lacerda* De modo geral, esta coluna apresenta reflexões sociais, históricas e morais abstratas e de longo prazo, evitando referências a problemas imediatos. Entretanto, há momentos em que é necessário sermos mais diretos e claros, devido à urgência dos problemas. O que nos preocupa agora são questões imediatas, para serem aplicadas em pouco mais de uma semana, embora seus efeitos sejam de longo prazo. Sendo muito diretos: faremos um apelo pelo voto cont

Gustavo Biscaia de Lacerda
há 6 dias5 min de leitura


O VOTO ALÉM DA RAZÃO: MEDO, RESSENTIMENTO E A PROMESSA DE RESTAURAÇÃO DA ORDEM NO BRASIL
Por Gustavo Bertoche* Flávio Bolsonaro recebeu 47% dos votos válidos no primeiro turno da eleição presidencial. 56 milhões de votos. Então dezenas de milhões de brasileiros são fascistas? Ora, as pessoas não entram na seção eleitoral levando tratados de teoria política ou comparando definições de democracia, autoritarismo e fascismo. Elas entram levando outra coisa: seus afetos – seus medos, seus ressentimentos, seus vínculos, seus desejos. * * * Em “O Mal-Estar na Civilizaçã

Gustavo Bertoche
7 de out.10 min de leitura


BOLSONARO NÃO CRIOU O BOLSONARISMO: APENAS DEU VOZ AO QUE O BRASIL MANTINHA EM SILÊNCIO
Por Dayane Stephanie Maia Costa* Bolsonaro não criou tudo isso. Talvez esse seja o problema. Talvez estejamos fazendo a pergunta errada sobre o bolsonarismo. Durante anos, tentamos entender como Jair Bolsonaro conseguiu transformar declarações que provocavam espanto em um movimento político capaz de mobilizar milhões de brasileiros. Racismo, preconceito, ataques à ciência, agressividade contra adversários, teorias conspiratórias e discursos que antes causariam constrangimento

Dayane Stephanie Maia Costa
7 de out.3 min de leitura


A CONSTITUIÇÃO ENTRA NO TERREIRO? RACISMO RELIGIOSO E A COR DO SAGRADO
Por Williem da Silva Barreto Júnior* Compreender a violência dirigida às religiões de matriz africana exige conhecer não apenas a trajetória dessas manifestações religiosas, mas também as estruturas raciais, políticas e jurídicas que determinaram o lugar historicamente ocupado por elas. A questão de fundo que pretendo enfrentar pode ser formulada da seguinte maneira: em que medida uma ordem constitucional democraticamente comprometida com a igualdade, a liberdade religiosa e

Williem da Silva Barreto Júnior
4 de out.18 min de leitura


QUANDO O LOGOS DEIXA DE JULGAR O PODER: PLATÃO, ÉTICA E A CRISE DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO
Por Gustavo Bertoche* Sobre a exposição da corrupção na Suprema Corte: o STF não é um tribunal politicamente neutro. É, do início ao fim, um tribunal político, sujeito a todas as vicissitudes da práxis política. A corrupção dos ministros, que enriquecem advogando pelas partes que serão julgadas (porque é óbvio que um pagamento de 131 milhões à esposa do ministro é um pagamento de 131 milhões ao próprio ministro), é a expressão do funcionamento adequado do sistema, e não uma a

Gustavo Bertoche
27 de set.6 min de leitura


EDUCAÇÃO PARA 1960 EM PLENO SÉCULO XXI
Por Gustavo Bertoche* Tudo na escola brasileira – do currículo à organização das salas de aula – é disposto de modo a preparar os estudantes a um mundo profissional industrial ou comercial, ou a um curso universitário voltado para as matemáticas e as ciências naturais. Isso não se dá por acaso: é consequência de um projeto que teve início nos anos 1960. Em 1964, Gary Becker, economista da Escola de Chicago, publicou "Capital Humano: Uma análise teórica e empírica, com especia

Gustavo Bertoche
27 de set.4 min de leitura


PROIBINDO A PROIBIÇÃO: O ESTADO REFÉM DO HIPERCAPITALISMO DAS BETS
Por Alexandre Gossn* Em 1839, o Império Chinês tomou uma decisão drástica diante de uma crise social de proporções colossais: tentou proibir o ópio. A droga, introduzida maciçamente por mercadores ocidentais, havia se entranhado no tecido social do país, deixando um rastro de viciados que morriam espalhados pelas ruas como lixo, consumidos por uma dependência química feroz e paralisante. A resposta do Ocidente a essa tentativa de proteção à saúde pública, no entanto, não foi

Alexandre Gossn
27 de set.3 min de leitura


ARISTÓTELES, CIDADANIA E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: QUANDO O LAR DEIXA DE SER ESPAÇO DE PODER
Por Daniel Camurça Correia* Aristóteles nasceu em Estagira, por volta de 384 a.C., e tornou-se um dos mais importantes pensadores da Antiguidade. Discípulo de Platão e posteriormente mestre de Alexandre da Macedônia, dedicou-se à filosofia, à política, à ética, à lógica e à investigação da natureza. Sua obra procurou compreender o ser humano como um ser político, cuja realização dependia da vida em comunidade e da busca racional pelo bem. Na Ética a Nicômaco, o mestre dedica

Daniel Camurça Correia
14 de set.3 min de leitura


A ODISSEIA: NÃO É ANACRONISMO, É RACISMO — E A FIDELIDADE CEGA É SÓ FALTA DE IMAGINAÇÃO
Por Adriano Gomes* O novo filme A Odisseia, de Christopher Nolan, ainda está rendendo. Rendendo muitos comentários de youtubers, rendendo muitos comentários de especialistas, rendendo muita discussão acalorada nas redes e, por isso, novamente venho aqui falar da Odisseia. Recentemente participei de um podcast sobre o tema. Recentemente fiz um texto e postei analisando o filme. Também recentemente fiz um texto inspirado na Odisseia sobre as sereias — e ainda está rendendo, e

Adriano Gomes
30 de jul.6 min de leitura


POR QUE "A ODISSEIA", DE HOMERO, AINDA É A HISTÓRIA MAIS MODERNA QUE VOCÊ VAI VER ESTE ANO?
DO NOVO FILME AO POEMA DE QUASE TRÊS MIL ANOS: POR QUE ESSA NARRATIVA DE UM HOMEM TENTANDO VOLTAR PARA CASA FALA MAIS DE VOCÊ DO QUE QUALQUER NOTÍCIA DO DIA Por Adriano Gomes* Se você assistiu à nova adaptação cinematográfica que chegou aos cinemas, ou mesmo se só ouviu falar dela, provavelmente já se deparou com a pergunta que todo mundo faz, sempre que um clássico ganha uma nova versão nas telas: “Mas é fiel ao original?”. Essa pergunta, na verdade, é quase sempre a pergunt

Adriano Gomes
28 de jul.7 min de leitura


A QUADRA COMO ESPELHO DA SOCIEDADE: QUANDO A DERROTA PRECISA ENCONTRAR UM CULPADO
Por Georgino Jorge de Souza Neto* Tenho acompanhado nos últimos dias, e com bastante preocupação, uma série de postagens nas redes sociais que procuram estabelecer uma relação entre o desempenho da seleção brasileira masculina de vôlei na Liga das Nações e a orientação sexual de alguns de seus atletas. Como professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), onde leciono, entre outras, a disciplina Sociologia do Esporte, esses episódios imediatamente chamaram min

Georgino Jorge de Souza Neto
28 de jul.7 min de leitura


O CANSAÇO DE PERFORMAR E O CAMPEONATO MUNDIAL DA RELEVÂNCIA
Por Georgino Jorge de Souza Neto* Estamos vivendo um tipo de cansaço que não se resolve dormindo. Aliás, dormir anda sendo apenas uma pausa técnica para que a exaustão volte mais organizada na manhã seguinte. Durante muito tempo disseram que o problema era a falta de tempo. Depois inventaram aplicativos para economizar tempo, relógios para monitorar o tempo, cursos para administrar o tempo e gurus para ensinar a multiplicar um tempo que, curiosamente, continuou com as mesmas

Georgino Jorge de Souza Neto
14 de jul.2 min de leitura


HAMNET E O SILÊNCIO DE CHLOÉ ZHAO: QUANDO O MITO DE SHAKESPEARE POUSA NO CHÃO
Por Alexandre Gossn* Escrevo este ensaio a partir de uma posição de cautela e escuta. Como homem e pesquisador, ao me debruçar sobre uma obra como Hamnet, entendo que meu papel não é o de validar a experiência feminina ali exposta, mas o de testemunhar a força de uma narrativa que nasce, floresce e se sustenta sob o olhar e a escrita de mulheres. Feita esta importante ressalva. Vamos ao filme... O filme é um ecossistema de sensibilidade feminina: parte do romance visceral de

Alexandre Gossn
13 de jul.3 min de leitura


OBESIDADE INTELECTUAL: A FORMAÇÃO DA IDIOCRACIA DIGITAL
Por Gustavo Bertoche* Estamos às portas de uma inédita crise de obesidade intelectual. Até a década de 1960, a maioria da população mundial era magra e relativamente saudável. Pudera: todo mundo precisava caminhar por algumas horas todos os dias. Desde então, com a universalização dos meios de transporte motorizados, individuais e coletivos, temos visto o engordamento progressivo dos corpos e o aumento drástico de várias doenças nas sociedades industrializadas. Um processo de

Gustavo Bertoche
12 de jul.1 min de leitura


ENTRE O GOL E O DECRETO: A POLÍTICA ENQUANTO A TORCIDA GRITA
Por Gustavo Bertoche* Os romanos já haviam compreendido: o pão e o circo docilizam a população, direcionando as suas energias agressivas para objetos imaginários — a torcida por um time, as discussões sobre táticas de jogo, as discordâncias quanto aos melhores jogadores. Enquanto os media tradicionais (os jornais, a televisão, o rádio) e os novos media (nas redes sociais) tratam do circo, as autoridades políticas agem sem nenhuma vigilância: para atender aos interesses de seu

Gustavo Bertoche
9 de jul.2 min de leitura


O FUTEBOL BRASILEIRO E O COMPLEXO DE PEDIGREE
Por Georgino Jorge de Souza Neto* Durante muitos anos repetimos a tese do genial Nelson Rodrigues como quem recita uma oração cívica, a de que o Brasil sofria do complexo de vira-latas. Perdíamos porque, antes mesmo do apito inicial, já nos julgávamos inferiores. Em alguns momentos isso até parecia ser verdade. O problema é que, como acontece com quase toda doença mal diagnosticada, exageramos na dose do remédio. Curamo-nos do vira-latas e desenvolvemos o complexo de pedigree

Georgino Jorge de Souza Neto
9 de jul.3 min de leitura


ENTRE O DESCANSO E A PRODUTIVIDADE: O PARADOXO DA SAÚDE DO TRABALHADOR NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Por Daniel Camurça Correia* A prática regular da atividade física ocupa lugar central nas recomendações das principais instituições de saúde do mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que adultos realizem entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada, incluindo exercícios de fortalecimento muscular em, pelo menos, dois dias por semana. Da mesma forma, o American College of Sports Medicine (ACSM) recomenda que a musculação seja realiz

Daniel Camurça Correia
8 de jul.4 min de leitura


A ESCOLA CONTRA O GÊNIO: COMO A NORMALIZAÇÃO SUFOCA TALENTOS EXTRAORDINÁRIOS
Por Gustavo Bertoche* Uma descoberta realizada nos meus vinte e seis anos de magistério: Quase todas as pessoas possuem um talento natural para realizar, de modo brilhante e extraordinário, alguma atividade. Porém, esse talento quase nunca é reconhecido e desenvolvido pela escola, porque sua natureza é extra-escolar. Ali está a menina com uma incrível habilidade social. Aquela outra que tem um senso estético refinado. A que desenha como ninguém. A que canta. A que sabe fazer

Gustavo Bertoche
30 de jun.2 min de leitura


DEPOIS DA EXTREMA DIREITA... O EXTREMO CENTRO?
Por Alexandre Gossn* As ideologias políticas são brandidas pelos eleitores e cidadãos contemporâneos como se fossem elementos naturais, existentes desde sempre. Como se tivessem nascido com o carbono primordial de nosso planeta, em seus estimados 3,5 bilhões de anos. Mas esquerda, direita, progressismo, conservadorismo ou fascismo não são condições naturais ou pré-existentes da vida humana. São construtos políticos recentes. Bem recentes na trajetória humana. Os primeiros g

Alexandre Gossn
28 de jun.3 min de leitura
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