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A ODISSEIA: NÃO É ANACRONISMO, É RACISMO — E A FIDELIDADE CEGA É SÓ FALTA DE IMAGINAÇÃO
Por Adriano Gomes* O novo filme A Odisseia, de Christopher Nolan, ainda está rendendo. Rendendo muitos comentários de youtubers, rendendo muitos comentários de especialistas, rendendo muita discussão acalorada nas redes e, por isso, novamente venho aqui falar da Odisseia. Recentemente participei de um podcast sobre o tema. Recentemente fiz um texto e postei analisando o filme. Também recentemente fiz um texto inspirado na Odisseia sobre as sereias — e ainda está rendendo, e

Adriano Gomes
30 de jul.6 min de leitura


POR QUE "A ODISSEIA", DE HOMERO, AINDA É A HISTÓRIA MAIS MODERNA QUE VOCÊ VAI VER ESTE ANO?
DO NOVO FILME AO POEMA DE QUASE TRÊS MIL ANOS: POR QUE ESSA NARRATIVA DE UM HOMEM TENTANDO VOLTAR PARA CASA FALA MAIS DE VOCÊ DO QUE QUALQUER NOTÍCIA DO DIA Por Adriano Gomes* Se você assistiu à nova adaptação cinematográfica que chegou aos cinemas, ou mesmo se só ouviu falar dela, provavelmente já se deparou com a pergunta que todo mundo faz, sempre que um clássico ganha uma nova versão nas telas: “Mas é fiel ao original?”. Essa pergunta, na verdade, é quase sempre a pergunt

Adriano Gomes
28 de jul.7 min de leitura


A QUADRA COMO ESPELHO DA SOCIEDADE: QUANDO A DERROTA PRECISA ENCONTRAR UM CULPADO
Por Georgino Jorge de Souza Neto* Tenho acompanhado nos últimos dias, e com bastante preocupação, uma série de postagens nas redes sociais que procuram estabelecer uma relação entre o desempenho da seleção brasileira masculina de vôlei na Liga das Nações e a orientação sexual de alguns de seus atletas. Como professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), onde leciono, entre outras, a disciplina Sociologia do Esporte, esses episódios imediatamente chamaram min

Georgino Jorge de Souza Neto
28 de jul.7 min de leitura


O CANSAÇO DE PERFORMAR E O CAMPEONATO MUNDIAL DA RELEVÂNCIA
Por Georgino Jorge de Souza Neto* Estamos vivendo um tipo de cansaço que não se resolve dormindo. Aliás, dormir anda sendo apenas uma pausa técnica para que a exaustão volte mais organizada na manhã seguinte. Durante muito tempo disseram que o problema era a falta de tempo. Depois inventaram aplicativos para economizar tempo, relógios para monitorar o tempo, cursos para administrar o tempo e gurus para ensinar a multiplicar um tempo que, curiosamente, continuou com as mesmas

Georgino Jorge de Souza Neto
14 de jul.2 min de leitura


HAMNET E O SILÊNCIO DE CHLOÉ ZHAO: QUANDO O MITO DE SHAKESPEARE POUSA NO CHÃO
Por Alexandre Gossn* Escrevo este ensaio a partir de uma posição de cautela e escuta. Como homem e pesquisador, ao me debruçar sobre uma obra como Hamnet, entendo que meu papel não é o de validar a experiência feminina ali exposta, mas o de testemunhar a força de uma narrativa que nasce, floresce e se sustenta sob o olhar e a escrita de mulheres. Feita esta importante ressalva. Vamos ao filme... O filme é um ecossistema de sensibilidade feminina: parte do romance visceral de

Alexandre Gossn
13 de jul.3 min de leitura


OBESIDADE INTELECTUAL: A FORMAÇÃO DA IDIOCRACIA DIGITAL
Por Gustavo Bertoche* Estamos às portas de uma inédita crise de obesidade intelectual. Até a década de 1960, a maioria da população mundial era magra e relativamente saudável. Pudera: todo mundo precisava caminhar por algumas horas todos os dias. Desde então, com a universalização dos meios de transporte motorizados, individuais e coletivos, temos visto o engordamento progressivo dos corpos e o aumento drástico de várias doenças nas sociedades industrializadas. Um processo de

Gustavo Bertoche
12 de jul.1 min de leitura


ENTRE O GOL E O DECRETO: A POLÍTICA ENQUANTO A TORCIDA GRITA
Por Gustavo Bertoche* Os romanos já haviam compreendido: o pão e o circo docilizam a população, direcionando as suas energias agressivas para objetos imaginários — a torcida por um time, as discussões sobre táticas de jogo, as discordâncias quanto aos melhores jogadores. Enquanto os media tradicionais (os jornais, a televisão, o rádio) e os novos media (nas redes sociais) tratam do circo, as autoridades políticas agem sem nenhuma vigilância: para atender aos interesses de seu

Gustavo Bertoche
9 de jul.2 min de leitura


O FUTEBOL BRASILEIRO E O COMPLEXO DE PEDIGREE
Por Georgino Jorge de Souza Neto* Durante muitos anos repetimos a tese do genial Nelson Rodrigues como quem recita uma oração cívica, a de que o Brasil sofria do complexo de vira-latas. Perdíamos porque, antes mesmo do apito inicial, já nos julgávamos inferiores. Em alguns momentos isso até parecia ser verdade. O problema é que, como acontece com quase toda doença mal diagnosticada, exageramos na dose do remédio. Curamo-nos do vira-latas e desenvolvemos o complexo de pedigree

Georgino Jorge de Souza Neto
9 de jul.3 min de leitura


ENTRE O DESCANSO E A PRODUTIVIDADE: O PARADOXO DA SAÚDE DO TRABALHADOR NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Por Daniel Camurça Correia* A prática regular da atividade física ocupa lugar central nas recomendações das principais instituições de saúde do mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que adultos realizem entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada, incluindo exercícios de fortalecimento muscular em, pelo menos, dois dias por semana. Da mesma forma, o American College of Sports Medicine (ACSM) recomenda que a musculação seja realiz

Daniel Camurça Correia
8 de jul.4 min de leitura


A ESCOLA CONTRA O GÊNIO: COMO A NORMALIZAÇÃO SUFOCA TALENTOS EXTRAORDINÁRIOS
Por Gustavo Bertoche* Uma descoberta realizada nos meus vinte e seis anos de magistério: Quase todas as pessoas possuem um talento natural para realizar, de modo brilhante e extraordinário, alguma atividade. Porém, esse talento quase nunca é reconhecido e desenvolvido pela escola, porque sua natureza é extra-escolar. Ali está a menina com uma incrível habilidade social. Aquela outra que tem um senso estético refinado. A que desenha como ninguém. A que canta. A que sabe fazer

Gustavo Bertoche
30 de jun.2 min de leitura


DEPOIS DA EXTREMA DIREITA... O EXTREMO CENTRO?
Por Alexandre Gossn* As ideologias políticas são brandidas pelos eleitores e cidadãos contemporâneos como se fossem elementos naturais, existentes desde sempre. Como se tivessem nascido com o carbono primordial de nosso planeta, em seus estimados 3,5 bilhões de anos. Mas esquerda, direita, progressismo, conservadorismo ou fascismo não são condições naturais ou pré-existentes da vida humana. São construtos políticos recentes. Bem recentes na trajetória humana. Os primeiros g

Alexandre Gossn
28 de jun.3 min de leitura


TOMADA DE DECISÕES EM UMA DEMOCRACIA: A SUPREMA CORTE COMO FORMADORA DE POLÍTICAS NACIONAIS — BREVES COMENTÁRIOS AO CÉLEBRE ENSAIO DE ROBERT DAHL
Por Williem da Silva Barreto Júnior* No ensaio Decision-Making in a Democracy: The Supreme Court as a National Policy-Maker, Robert Dahl desenvolve importante análise acerca do papel desempenhado pela Suprema Corte dos Estados Unidos no sistema político norte-americano. Partindo da premissa de que a atuação do Tribunal não pode ser compreendida exclusivamente a partir da sua função jurisdicional, o autor procura demonstrar que a Corte exerce papel relevante na definição de po

Williem da Silva Barreto Júnior
28 de jun.11 min de leitura


A TEORIA CRÍTICA DOS SISTEMAS: DA DESCRIÇÃO SISTÊMICA À VIRADA NORMATIVA DA TEORIA SOCIAL
Por Williem da Silva Barreto Júnior* A teoria dos sistemas sociais, desenvolvida por Niklas Luhmann, consolidou-se como uma das mais sofisticadas construções teóricas voltadas à compreensão da complexidade da sociedade contemporânea. O seu caráter analítico e descritivo, entretanto, fez com que, durante longo período, fosse considerada incompatível com projetos teóricos orientados pela crítica social e pela emancipação. Essa percepção, contudo, passou a ser progressivamente r

Williem da Silva Barreto Júnior
28 de jun.3 min de leitura


DESREGULAÇÃO DO PODER NO BRASIL, MORALIDADE E POLITIZAÇÃO: PRECISAMOS RECUPERAR A NOÇÃO DE REPÚBLICA E CONVENCIMENTO PACÍFICO
Por Gustavo Biscaia de Lacerda* O poder está desregulado no Brasil. Isso pode parecer bastante abstrato (e, em certo sentido, é, sim, abstrato), mas, bem vistas as coisas, o problema é bastante concreto e, desgraçadamente, bastante geral. Não é o Estado, não são as instituições, não são nem os partidos políticos: é o poder, é o mecanismo geral de tomadas de decisões e de imposição das ordens; é isso que está desregulado, e severamente desregulado, no Brasil. A direita, organi

Gustavo Biscaia de Lacerda
28 de jun.5 min de leitura


3 CRÍTICAS SOBRE A REPRESONTOLOGIA — E RESPOSTAS DIRETAS
Por Ricardo Cortez Lopes* Na semana passada, conversamos com um pesquisador da Teoria das Representações Sociais, que nos apresentou algumas críticas à represontologia. Trazemos aqui um resumo dessa treta. O que acham? Crítica 1: Não pode haver múltiplas representações sobre um mesmo tema na Teoria das Representações Sociais (TRS). Resposta: A represontologia não é uma continuação da TRS. Ela propõe outro caminho: em vez de trabalhar com a noção de “objeto social”, utiliza o

Ricardo Cortez Lopes
27 de jun.2 min de leitura


A ESCOLA BRASILEIRA CONTRA A EDUCAÇÃO
Por Gustavo Bertoche* Sou professor doutor em Filosofia. Trabalhei no ensino básico e superior, tanto na rede pública quanto na particular. Fui proprietário e diretor de uma escola que atuava no ensino fundamental. Lecionei numa universidade particular no Rio de Janeiro; na Federal de Ouro Preto; na Universidade da Beira Interior, em Portugal; na Universidade Estadual do Paraná. Fui professor do ensino básico na rede particular e na rede estadual do Rio de Janeiro e do Paraná

Gustavo Bertoche
21 de jun.4 min de leitura


MARX AINDA ASSOMBRA O CAPITALISMO: A ATUALIDADE DE UM PENSAMENTO QUE SE RECUSA A ENVELHECER
Por Georgino Jorge de Souza Neto* Poucos livros atravessaram os séculos com a insolência intelectual de Karl Marx. Poucos autores conservaram tamanha capacidade de desconforto. A obra marxista permanece de pé, rejeitando o rótulo de uma utopia derrotada e se consolidando como espelho incômodo erguido diante da anatomia moral do capitalismo. Essa é a sua grandeza: enquanto tantos pensadores envelhecem como móveis antigos, Marx continua produzindo irritação, debate, negação apa

Georgino Jorge de Souza Neto
20 de jun.3 min de leitura


THE BOYS E A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO: QUANDO OS HERÓIS VIRAM PRODUTOS E CIDADÃOS VIRAM PLATEIA
Por Georgino Jorge de Souza Neto* Acabo de assistir à primeira temporada de The Boys (sim, sei que tô bem atrasado), e fiquei com aquela sensação rara que algumas obras provocam: a de que estamos diante de uma sátira tão exagerada que, paradoxalmente, se torna mais verdadeira do que a própria realidade. À primeira vista, trata-se apenas de uma desconstrução violenta do mito dos super-heróis. Mas bastam alguns episódios para perceber que os heróis são apenas o pretexto. O verd

Georgino Jorge de Souza Neto
20 de jun.3 min de leitura


QUANDO UM GESTO NÃO É APENAS UM GESTO
Por Georgino Jorge de Souza Neto* O futebol costuma ser chamado de linguagem universal. Justamente por isso, seus símbolos nunca são neutros. O gesto feito pelo supervisor do VAR na partida entre Alemanha e Curaçao talvez tenha sido apenas um equívoco. Talvez não. É exatamente por isso que a investigação da FIFA é necessária: porque, em um evento que reúne bilhões de pessoas e representa dezenas de povos, não existe espaço para ambiguidades quando o assunto é racismo. Tem que

Georgino Jorge de Souza Neto
20 de jun.2 min de leitura


MAIS UMA VEZ, OS PRECONCEITOS DISSEMINADOS NAS PESQUISAS EMPÍRICAS
Por Gustavo Biscaia de Lacerda* O livro O Brasil no espelho: um guia para entender o Brasil e os brasileiros, de Felipe Nunes – professor da Fundação Getúlio Vargas e dono do Instituto Quaest, de pesquisas de opinião – foi publicado em 2025 e apresenta os resultados de uma pesquisa sobre hábitos e opiniões da população brasileira a respeito das mais variadas questões: importância da família, preferências político-partidárias, confiança nas instituições etc. É um livro pequeno

Gustavo Biscaia de Lacerda
20 de jun.10 min de leitura
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