3 REVOLUÇÕES COPERNICANAS
- Ricardo Cortez Lopes

- 15 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de jan.
Por Ricardo Cortez Lopes*
No texto de hoje, apresentamos três revoluções inspiradas no modelo das ideias de Copérnico.
As chamadas revoluções copernicanas de Kant e Durkheim representam transformações profundas na forma de compreender seus respectivos campos de estudo. Assim como Copérnico alterou a astronomia ao deslocar o centro do universo da Terra para o Sol, esses pensadores também promoveram mudanças radicais ao redefinir o foco de análise em suas áreas.
Immanuel Kant realizou sua revolução copernicana na filosofia ao inverter a relação entre sujeito e objeto no processo do conhecimento. Antes dele, predominava a ideia de que o conhecimento era determinado principalmente pela realidade externa, isto é, pelos objetos que influenciavam a mente. Kant, porém, sustentou o oposto:
O conhecimento não provém apenas do mundo exterior, mas também das estruturas da própria mente.
O sujeito não é uma “tábula rasa” que recebe passivamente as informações do mundo. Ao contrário, a mente organiza e estrutura a experiência por meio de categorias a priori, como tempo, espaço e causalidade.
Em outras palavras, não conhecemos o mundo “como ele é em si” (o númeno), mas apenas como ele se apresenta para nós (o fenômeno), moldado pelas estruturas da razão humana.
Émile Durkheim, por sua vez, promoveu uma revolução copernicana na sociologia ao deslocar o foco da análise do indivíduo para a sociedade. Até então, os comportamentos humanos eram explicados, em grande medida, por fatores individuais ou biológicos. Durkheim rompeu com essa perspectiva ao afirmar que:
É a sociedade que molda os indivíduos, e não o contrário.
As manifestações sociais — como leis, normas, moralidade e religião — não podem ser explicadas apenas pelas ações individuais, mas pelos fatos sociais, que existem de forma independente e exercem influência sobre os sujeitos.
A moralidade e o conhecimento, portanto, não são meramente subjetivos nem resultados exclusivos da razão individual, mas construções coletivas, transmitidas por meio das representações sociais.
Assim, o indivíduo não cria a sociedade; ela já existe antes dele e orienta seu pensamento, seu comportamento e sua moralidade.
A quarta revolução é a da represontologia, na qual a representação deixa de ocupar um papel periférico como simples ferramenta e passa a ser, ela própria, o objeto central de estudo.
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* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.



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