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3 REVOLUÇÕES COPERNICANAS

Atualizado: 17 de jan.

Por Ricardo Cortez Lopes*


No texto de hoje, apresentamos três revoluções inspiradas no modelo das ideias de Copérnico.


As chamadas revoluções copernicanas de Kant e Durkheim representam transformações profundas na forma de compreender seus respectivos campos de estudo. Assim como Copérnico alterou a astronomia ao deslocar o centro do universo da Terra para o Sol, esses pensadores também promoveram mudanças radicais ao redefinir o foco de análise em suas áreas.


Immanuel Kant realizou sua revolução copernicana na filosofia ao inverter a relação entre sujeito e objeto no processo do conhecimento. Antes dele, predominava a ideia de que o conhecimento era determinado principalmente pela realidade externa, isto é, pelos objetos que influenciavam a mente. Kant, porém, sustentou o oposto:


O conhecimento não provém apenas do mundo exterior, mas também das estruturas da própria mente.

O sujeito não é uma “tábula rasa” que recebe passivamente as informações do mundo. Ao contrário, a mente organiza e estrutura a experiência por meio de categorias a priori, como tempo, espaço e causalidade.


Em outras palavras, não conhecemos o mundo “como ele é em si” (o númeno), mas apenas como ele se apresenta para nós (o fenômeno), moldado pelas estruturas da razão humana.


Émile Durkheim, por sua vez, promoveu uma revolução copernicana na sociologia ao deslocar o foco da análise do indivíduo para a sociedade. Até então, os comportamentos humanos eram explicados, em grande medida, por fatores individuais ou biológicos. Durkheim rompeu com essa perspectiva ao afirmar que:


É a sociedade que molda os indivíduos, e não o contrário.

As manifestações sociais — como leis, normas, moralidade e religião — não podem ser explicadas apenas pelas ações individuais, mas pelos fatos sociais, que existem de forma independente e exercem influência sobre os sujeitos.


A moralidade e o conhecimento, portanto, não são meramente subjetivos nem resultados exclusivos da razão individual, mas construções coletivas, transmitidas por meio das representações sociais.


Assim, o indivíduo não cria a sociedade; ela já existe antes dele e orienta seu pensamento, seu comportamento e sua moralidade.


A quarta revolução é a da represontologia, na qual a representação deixa de ocupar um papel periférico como simples ferramenta e passa a ser, ela própria, o objeto central de estudo.







* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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