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REPRESONTOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Por Ricardo Cortez Lopes*


A Represontologia é uma ciência autônoma, externa ao simples estudo das representações enquanto objeto isolado. Ela investiga, com base em evidências empíricas, o comportamento, a composição e a transformação das representações nos mais diversos contextos sociais, históricos e culturais. Em razão de sua natureza ampla, a representação se subdivide em diferentes áreas, a depender do tipo de representação investigada. Entre elas, destacam-se a represontologia histórica, a represontologia abstrata e a represontologia física.


Além dessas subdivisões internas, há áreas de interface com outros campos do saber, como a Represontologia da Comunicação, da Arte e, de modo especial, da Educação.


No campo educacional, a Represontologia da Educação tem como foco o estudo das representações associadas aos processos de ensino e aprendizagem. Nesse contexto, ganha centralidade a noção de representação estática, que lida com representações relativamente consolidadas — aquelas que são ensinadas, institucionalizadas e sistematicamente ampliadas no interior dos sistemas educacionais.


Objetivos da Represontologia da Educação


O campo organiza-se em torno de cinco grandes eixos analíticos:

  • Representações envolvidas com a aprendizagem;

  • Representações que facilitam a aprendizagem;

  • Representações divulgadas por educadores;

  • Representações que devem ser ensinadas;

  • Estudo da atividade representativa em crianças e adultos.


Essas representações não surgem de forma espontânea. Elas se apoiam em representações anteriores, frequentemente repensadas, reelaboradas e sistematizadas ao longo do tempo. São descobertas e transmitidas como parte de uma continuidade histórica, mas não como mera reprodução mecânica.


A seguir, aprofundamos cada um desses cinco tópicos.


1 Representações envolvidas com a aprendizagem: A representação mental desempenha papel central na interpretação dos estímulos. Seu núcleo associativo é predominantemente sonoro e pode ser modificado à medida que se amplia o estoque de fatos, que constitui a base da cognição. Nesse sentido, a aprendizagem ocorre quando uma ou mais representações oficiais passam a ser compartilhadas voluntariamente por um sujeito, por meio de processos de convenção sistêmica.


2 Representações que facilitam a aprendizagem: As representações escolares, muitas vezes, entram em conflito com as representações prévias dos alunos, produzindo descontinuidades lógicas e cognitivas. A didática, nesse caso, precisa atuar como mediadora, criando “pontes” entre o conhecimento vívido do aluno e o conhecimento oficial. Isso se realiza por meio de ferramentas que operam sobre o reservatório factual do aprendiz, como imagens, exemplos e contextos que dialogam com ambos os universos representacionais.


3 Representações divulgadas por educadores: Esse campo de pesquisa investiga como determinadas representações são difundidas em contextos educativos. Ao compreender os modos de circulação dessas representações, a Represontologia reflete sobre o próprio conceito de representação, bem como sobre sua estrutura e sua função na prática pedagógica.


4 Representações que devem ser ensinadas: Aqui, o objetivo é investigar as representações que sustentam diferentes correntes do pensamento educacional. O foco não se limita a defender, apresentar ou criticar tais correntes, mas busca compreender as estruturas representacionais que as fundamentam e os efeitos produzidos por sua adoção nos processos educativos.


5 Atividade representativa em crianças e adultos: A atividade representativa reconhece diferenças fundamentais entre pedagogia e andragogia. As crianças possuem um reservatório factual mais limitado e, por isso, dependem mais intensamente do núcleo associativo. Além disso, tendem a aceitar representações com base na autoridade, sem questionamentos sistemáticos. Já os adultos, por disporem de um estoque factual mais amplo, apresentam representações mais instáveis e questionadoras, mas também mais abertas ao diálogo e à revisão crítica.



Apêndice:


Aplicações práticas: planejamento, didática e avaliação


a) Planejamento – Delimitação da representação oficial: No início do processo educativo, as representações prévias dos alunos ainda não são plenamente conhecidas. Ainda assim, é possível estabelecer uma representação oficial como referência. Essa representação deve ser coesa, teoricamente fundamentada e bibliograficamente embasada, funcionando como parâmetro orientador — e não como imposição.


b) Didática – Facilitando o espalhamento: A didática se constrói a partir do conhecimento das representações previstas dos alunos, obtidas por meio de pesquisas quanti-qualitativas, etnografias e dinâmicas participativas. A comparação entre a representação oficial e as representações vívidas possibilita estratégias de ensino voltadas ao enriquecimento do estoque factual.


c) Avaliação – Observando a ressignificação: A avaliação ocorre de forma contínua e também ao final do processo. Durante a prática pedagógica, o docente acompanha a ressignificação em tempo real por meio de diferentes instrumentos avaliativos. Posteriormente, analisa-se a representação resultante dos alunos e os caminhos pelos quais ela foi construída.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.


LOPES, Ricardo Cortez. Concursos para docentes voluntários no Brasil: contornos e contornos dos específicos. Temáticas, Campinas, v. 32, n. 63, p. 138-163, 2024.


LOPES, Ricardo Cortez. Os trabalhos de conclusão de curso colaboram para os objetivos gerais da educação brasileira? Revista Interfaces, v. 15, p. 1-18, 2024.


LOPES, Ricardo Cortez. Quando o pesquisador sai da torre de marfim e busca o like. Revista Coletivo Cine-Fórum, p. 57-77, 2024.


PENHA, Diego Amaral; MENDES, Renat Nuruyev; LOPES, Ricardo Cortez. A monstruosidade do Monstro do Pântano: reflexões represontológicas à luz da série Monstro do Pântano. Contracampo (UFF), p. 1-19, 2025.


MARTINEZ, Lis Yana de Lima; LOPES, Ricardo Cortez. O nome é Lynd, Vesper Lynd: um espelho em Casino Royale. Sociologia: Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto, v. 48, p. 111-125, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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