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STREET FIGHTER E A REPRESONTOLOGIA

Por Ricardo Cortez Lopes*


A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais analisados por meio da Represontologia, a ciência das representações. O objetivo é apresentar aplicações conceituais e, ao mesmo tempo, sugerir temas de pesquisa futuros para quem deseja trabalhar com a represontologia (quem sabe para publicação na Revista Colirium). O post de hoje é dedicado a Ryu, personagem central da franquia Street Fighter.


Ryu é o protagonista da série, que gira em torno de torneios secretos realizados em diferentes partes do mundo. As motivações desses torneios variam conforme o antagonista de cada jogo: Sagat, em busca do título de melhor lutador; Bison, interessado em atrair novos corpos para abrigar sua alma; Akuma, empenhado em demonstrar poder destrutivo; e Gill, ligado à ordem dos Illuminati.


Ryu — cujo kanji do nome remete a “escola” ou “estilo”, e não a “dragão” — funciona como o eixo de convergência de toda a franquia. Ele busca constantemente o aprimoramento enquanto lutador, não com o objetivo de dominar ou matar, mas de se aperfeiçoar. No entanto, ao longo da narrativa, torna-se evidente que ele carrega uma espécie de demônio interior: o momento em que a energia do Satsui no Hadou assume o controle, uma inspiração frequentemente associada a figuras como Darth Vader.


Para a represontologia, a magia é um tema de grande interesse. Afinal, essa ciência se dedica a compreender com rigor como uma representação interna se converte em representação externa, refletindo sobre seu grau de nitidez e mediação. A magia, nesse sentido, desorganiza os esquemas clássicos do processo representacional. Se fôssemos produzir um Hadouken sem recorrer à magia ficcional, seria necessário criar algo semelhante a um laser ou a uma forma de luz sólida, o que exigiria tecnologia específica, recursos materiais e uma fonte constante de energia — além de não estar disponível em qualquer contexto.


A magia, por sua vez, inverte esse processo. O Hadouken emerge da energia espiritual, destacando-se do total de energia disponível e sendo utilizado como um ataque à distância. Trata-se de uma instância distinta de execução, que ainda assim parte de uma representação interna, a qual aciona esse “sexto sentido” e viabiliza o golpe.


Desse modo, a magia altera profundamente o processo representacional: ela não explica o “como” da passagem da representação para o mundo material, mas apresenta diretamente o efeito, suprimindo a necessidade de uma causa física visível.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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