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O CANSAÇO DE PERFORMAR E O CAMPEONATO MUNDIAL DA RELEVÂNCIA
Por Georgino Jorge de Souza Neto* Estamos vivendo um tipo de cansaço que não se resolve dormindo. Aliás, dormir anda sendo apenas uma pausa técnica para que a exaustão volte mais organizada na manhã seguinte. Durante muito tempo disseram que o problema era a falta de tempo. Depois inventaram aplicativos para economizar tempo, relógios para monitorar o tempo, cursos para administrar o tempo e gurus para ensinar a multiplicar um tempo que, curiosamente, continuou com as mesmas

Georgino Jorge de Souza Neto
há 6 dias2 min de leitura


OBESIDADE INTELECTUAL: A FORMAÇÃO DA IDIOCRACIA DIGITAL
Por Gustavo Bertoche* Estamos às portas de uma inédita crise de obesidade intelectual. Até a década de 1960, a maioria da população mundial era magra e relativamente saudável. Pudera: todo mundo precisava caminhar por algumas horas todos os dias. Desde então, com a universalização dos meios de transporte motorizados, individuais e coletivos, temos visto o engordamento progressivo dos corpos e o aumento drástico de várias doenças nas sociedades industrializadas. Um processo de

Gustavo Bertoche
12 de jul.1 min de leitura


ENTRE O GOL E O DECRETO: A POLÍTICA ENQUANTO A TORCIDA GRITA
Por Gustavo Bertoche* Os romanos já haviam compreendido: o pão e o circo docilizam a população, direcionando as suas energias agressivas para objetos imaginários — a torcida por um time, as discussões sobre táticas de jogo, as discordâncias quanto aos melhores jogadores. Enquanto os media tradicionais (os jornais, a televisão, o rádio) e os novos media (nas redes sociais) tratam do circo, as autoridades políticas agem sem nenhuma vigilância: para atender aos interesses de seu

Gustavo Bertoche
9 de jul.2 min de leitura


A ESCOLA, A ALMA E A INVERSÃO NECESSÁRIA
Por Gustavo Bertoche* Sócrates descobriu que o homem é psiquê: é a sua consciência, é a sua personalidade intelectual e moral. Por isso, o núcleo da filosofia socrática é pedagógico: é necessário sobretudo conhecer-se — isto é: conhecer o homem, em sua universalidade e em sua singularidade — antes do início da realização de qualquer projeto de vida. Sob a perspectiva socrática, o erro da nossa pedagogia consiste no fato de que ela ensina ao homem as coisas humanas, mas não sa

Gustavo Bertoche
9 de jul.2 min de leitura


TOMADA DE DECISÕES EM UMA DEMOCRACIA: A SUPREMA CORTE COMO FORMADORA DE POLÍTICAS NACIONAIS — BREVES COMENTÁRIOS AO CÉLEBRE ENSAIO DE ROBERT DAHL
Por Williem da Silva Barreto Júnior* No ensaio Decision-Making in a Democracy: The Supreme Court as a National Policy-Maker, Robert Dahl desenvolve importante análise acerca do papel desempenhado pela Suprema Corte dos Estados Unidos no sistema político norte-americano. Partindo da premissa de que a atuação do Tribunal não pode ser compreendida exclusivamente a partir da sua função jurisdicional, o autor procura demonstrar que a Corte exerce papel relevante na definição de po

Williem da Silva Barreto Júnior
28 de jun.11 min de leitura


A FRAGILIDADE DO JULGAR: A SINDERESE E A FRONTEIRA ENTRE ERRO E CRIME NA PERSPECTIVA DE SANTO TOMÁS DE AQUINO
Por Daniel Camurça Correia* No vasto panorama da Filosofia do Direito, poucos pensadores estruturaram uma base tão sólida para a compreensão da justiça e do ato de julgar quanto Santo Tomás de Aquino. O filósofo e teólogo dominicano do século XIII foi o responsável por operar uma síntese entre a tradição clássica aristotélica e a teologia cristã. Em sua obra, a Suma Teológica, Aquino desenhou um intrincado sistema em que o Direito não se resume à mera aplicação da força estat

Daniel Camurça Correia
28 de jun.3 min de leitura


A FANTASIA DAS FRONTEIRAS DO CONHECIMENTO
Por Gustavo Bertoche* Um equívoco comum do pensamento na Modernidade está na concepção de que existe uma diferença clara e distinta entre a Filosofia, o misticismo, a ciência natural e a política. Esse equívoco conduz à incompreensão dos fenômenos culturais do nosso próprio tempo. Por exemplo: qualquer ciência natural está fundamentada em intuições metafísicas indemonstráveis; suas teses estão intimamente ligadas, numa via de mão dupla, a ideologias políticas; possui em seu n

Gustavo Bertoche
28 de jun.5 min de leitura


BACHELARD E A ESCOLA COMO FINALIDADE DA SOCIEDADE
Por Gustavo Bertoche* Em 27 de junho de 1884 nascia Gaston Louis Pierre Bachelard, filho de pequenos comerciantes no interior de Bar-sur-Aube, na Champagne. Gaston Bachelard passou a infância nos campos. Foi funcionário dos Correios. Esteve nas tricheiras por 38 meses durante a guerra, instalando e reparando cabos telegráficos, e recebeu a Croix de Guerre. Tornou-se pai em 1919 e viúvo em 1920. Entre 1919 e 1930, foi professor de física e química no liceu de sua cidade. Em 19

Gustavo Bertoche
28 de jun.2 min de leitura


CONVITE PARA PARTICIPAR DE EVENTO DO INSTITUTO PARAJÁS EM PARCERIA COM O DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DA UNIMONTES
Pela Equipe Editorial do Instituto Parajás* O Instituto Parajás, em parceria com o Departamento de História da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), convida estudantes, pesquisadores, professores e toda a comunidade interessada para participar do V Webnário Parajás: Futebol, Cultura e Sociedade, que será realizado entre os dias 25 e 29 de maio de 2026, em formato totalmente online e gratuito. A quinta edição do Webnário Parajás propõe uma reflexão interdisciplin

Instituto Parajás
25 de mai.2 min de leitura


REPRESENTAÇÃO, PENSAMENTO E IDEIA
Por Ricardo Cortez Lopes * Existem pessoas que confundem ideia com representação. Com efeito, a representação precisa das ideias, mas uma ideia não é, necessariamente, uma representação. Outras confundem representação com pensamento, e aí o erro é mais rude. Observemos que a representação é matéria-prima de ambos, mesmo que não os determine. O pensamento é o processo mais amplo: trata-se da própria atividade da mente, o ato de refletir, imaginar, julgar ou duvidar, tal como p

Ricardo Cortez Lopes
22 de abr.2 min de leitura


O MITO DA CAVERNA E A REPRESENTAÇÃO
Por Ricardo Cortez Lopes * e Daniel Camurça Correia ** Segundo os estudiosos da representação, mais especificamente Michel Foucault, os filósofos gregos da Antiguidade apresentam um pensamento representacionista, que compreende o conhecimento como representação da verdade, excluindo o restante como mero engano. Contudo, à luz da represontologia, podemos tecer algumas reflexões mais livres, considerando que estamos realizando um anacronismo com fins especulativos. O mito da

Ricardo Cortez Lopes
3 de abr.2 min de leitura


A ARMADILHA EMPIRISTA: DO PRIMADO DA PERCEPÇÃO AO SOLIPSISMO PÓS-MODERNO
Por Gustavo Bertoche * É impressionante como os empiristas prepararam para si uma armadilha filosófica: a armadilha do idealismo. No núcleo da metafísica empirista está a ideia de que a verdade é função da percepção subjetiva, isto é: que tudo o que podemos conhecer são ideias, e as ideias têm origem nos sentidos — que, por sua vez, não dão nenhuma garantia de correspondência exata com o que neles provoca as impressões. Em última instância, o mundo é uma criação do espírito.

Gustavo Bertoche
1 de mar.2 min de leitura


DA CULTURA AO RELÓGIO: A RUPTURA LUHMANNIANA COM PARSONS
Por Williem da Silva Barreto Júnior * O problema da ordem social atravessa a história do pensamento ocidental como uma pergunta insistente: como é possível que indivíduos contingentes estabeleçam vínculos estáveis? Reformulada por Parsons sob o conceito de dupla contingência e radicalizada por Luhmann na teoria dos sistemas, essa questão desloca o foco dos fundamentos normativos para os mecanismos operativos da comunicação. O presente texto examina essa trajetória conceitual,

Williem da Silva Barreto Júnior
28 de fev.5 min de leitura


HISTÓRIA, MODERNIDADE E TEMPORALIZAÇÃO: A TRANSFORMAÇÃO DO CONCEITO DE HISTÓRIA EM REINHART KOSELLECK
Por Williem da Silva Barreto Júnior * A reflexão proposta por Reinhart Koselleck acerca da reconstituição da história parte da constatação de que o seu próprio conceito sofreu uma inflexão decisiva na transição para a modernidade. Não se trata apenas de mudança metodológica ou narrativa, mas de transformação estrutural na forma como o tempo histórico passa a ser concebido, experimentado e articulado. A passagem de histórias fragmentadas para a ideia de uma história singula

Williem da Silva Barreto Júnior
15 de fev.4 min de leitura


POR QUE ESTUDAR SÓCRATES? A ATUALIDADE DO PENSAMENTO SOCRÁTICO NA ÉTICA, NO DIREITO E NO COMPLIANCE
Por Daniel Camurça Correia * Sócrates, filósofo ateniense que viveu aproximadamente entre 469 e 399 a.C., ocupa um lugar central na história do pensamento ocidental e, de modo particular, na reflexão filosófico-jurídica. Sua origem está ligada à Atenas do período clássico, um contexto marcado pelo florescimento da democracia, do debate público e das instituições jurídicas. Filho de Sofronisco, um escultor, e de Fenarete, parteira, Sócrates não deixou obras escritas, sendo con

Daniel Camurça Correia
6 de fev.3 min de leitura


DA CICUTA AO STF: SÓCRATES OUTRA VEZ CONDENADO
Por Gustavo Bertoche * Sobre a exposição da corrupção na Suprema Corte: o STF não é um tribunal politicamente neutro. É, do início ao fim, um tribunal político, sujeito a todas as vicissitudes da práxis política. A corrupção dos ministros, que enriquecem advogando pelas partes que serão julgadas (porque é óbvio que um pagamento de 140 milhões à esposa do ministro é um pagamento de 140 milhões ao próprio ministro), é a expressão do funcionamento adequado do sistema, e não uma

Gustavo Bertoche
4 de fev.6 min de leitura


REPRESONTOLOGIA X REPRESENTOLOGIA: DUAS ABORDAGENS SOBRE AS REPRESENTAÇÕES — UMA CIÊNCIA E SUA IRMÃ FILOSÓFICA
Por Ricardo Cortez Lopes * Você sabia que a Represontologia, embora seja uma ciência autônoma, possui uma irmã filosófica chamada Representologia? Ambas se dedicam ao estudo das representações, mas partem de fundamentos, métodos e objetivos distintos. Compreender essa diferença é fundamental para quem se interessa por epistemologia, comunicação, cognição, cultura e ciência. 1 Origem e fundação A Representologia tem sua fundação nos Estados Unidos, consolidando-se como uma sub

Ricardo Cortez Lopes
28 de jan.2 min de leitura


NÃO HÁ PROGRESSO NAS QUESTÕES HUMANAS
Por Gustavo Bertoche * Não há progresso nas questões centrais do mundo humano. Elas permanecem as mesmas há pelo menos vinte e cinco séculos. * * * É claro que existe progresso tecno-científico. Os meios de produção, de comunicação, de transporte progridem geração após geração. Mas as perguntas de raiz não mudam — as perguntas sobre o cosmos, sobre a comunidade dos homens, sobre os seres humanos; elas permanecem as mesmas porque nós ainda somos os mesmos. Façamos um experimen

Gustavo Bertoche
25 de jan.7 min de leitura


NADA DE NOVO SOB O SOL DA FILOSOFIA: OS PROBLEMAS DE SEMPRE COM NOVAS ROUPAGENS
Por Gustavo Bertoche * Muitos intelectuais acreditam lidar com problemas absolutamente novos, jamais pensados anteriormente — problemas como, por exemplo, a questão da "inteligência artificial", o caráter autofágico da democracia, a proposta do gênero neutro na língua portuguesa. O que os intelectuais do nosso tempo ignoram — devido à sua deficiência cultural — é que esses problemas já eram discutidos, sob outras formas, há milhares de anos. O caso específico da proposta do p

Gustavo Bertoche
15 de jan.2 min de leitura


3 REVOLUÇÕES COPERNICANAS
Por Ricardo Cortez Lopes * No texto de hoje, apresentamos três revoluções inspiradas no modelo das ideias de Copérnico. As chamadas revoluções copernicanas de Kant e Durkheim representam transformações profundas na forma de compreender seus respectivos campos de estudo. Assim como Copérnico alterou a astronomia ao deslocar o centro do universo da Terra para o Sol, esses pensadores também promoveram mudanças radicais ao redefinir o foco de análise em suas áreas. Immanuel Kant

Ricardo Cortez Lopes
15 de jan.2 min de leitura
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