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A ARMADILHA EMPIRISTA: DO PRIMADO DA PERCEPÇÃO AO SOLIPSISMO PÓS-MODERNO
Por Gustavo Bertoche * É impressionante como os empiristas prepararam para si uma armadilha filosófica: a armadilha do idealismo. No núcleo da metafísica empirista está a ideia de que a verdade é função da percepção subjetiva, isto é: que tudo o que podemos conhecer são ideias, e as ideias têm origem nos sentidos — que, por sua vez, não dão nenhuma garantia de correspondência exata com o que neles provoca as impressões. Em última instância, o mundo é uma criação do espírito.

Gustavo Bertoche
1 de mar.2 min de leitura


DA CULTURA AO RELÓGIO: A RUPTURA LUHMANNIANA COM PARSONS
Por Williem da Silva Barreto Júnior * O problema da ordem social atravessa a história do pensamento ocidental como uma pergunta insistente: como é possível que indivíduos contingentes estabeleçam vínculos estáveis? Reformulada por Parsons sob o conceito de dupla contingência e radicalizada por Luhmann na teoria dos sistemas, essa questão desloca o foco dos fundamentos normativos para os mecanismos operativos da comunicação. O presente texto examina essa trajetória conceitual,

Williem da Silva Barreto Júnior
28 de fev.5 min de leitura


HISTÓRIA, MODERNIDADE E TEMPORALIZAÇÃO: A TRANSFORMAÇÃO DO CONCEITO DE HISTÓRIA EM REINHART KOSELLECK
Por Williem da Silva Barreto Júnior * A reflexão proposta por Reinhart Koselleck acerca da reconstituição da história parte da constatação de que o seu próprio conceito sofreu uma inflexão decisiva na transição para a modernidade. Não se trata apenas de mudança metodológica ou narrativa, mas de transformação estrutural na forma como o tempo histórico passa a ser concebido, experimentado e articulado. A passagem de histórias fragmentadas para a ideia de uma história singula

Williem da Silva Barreto Júnior
15 de fev.4 min de leitura


POR QUE ESTUDAR SÓCRATES? A ATUALIDADE DO PENSAMENTO SOCRÁTICO NA ÉTICA, NO DIREITO E NO COMPLIANCE
Por Daniel Camurça Correia * Sócrates, filósofo ateniense que viveu aproximadamente entre 469 e 399 a.C., ocupa um lugar central na história do pensamento ocidental e, de modo particular, na reflexão filosófico-jurídica. Sua origem está ligada à Atenas do período clássico, um contexto marcado pelo florescimento da democracia, do debate público e das instituições jurídicas. Filho de Sofronisco, um escultor, e de Fenarete, parteira, Sócrates não deixou obras escritas, sendo con

Daniel Camurça Correia
6 de fev.3 min de leitura


DA CICUTA AO STF: SÓCRATES OUTRA VEZ CONDENADO
Por Gustavo Bertoche * Sobre a exposição da corrupção na Suprema Corte: o STF não é um tribunal politicamente neutro. É, do início ao fim, um tribunal político, sujeito a todas as vicissitudes da práxis política. A corrupção dos ministros, que enriquecem advogando pelas partes que serão julgadas (porque é óbvio que um pagamento de 140 milhões à esposa do ministro é um pagamento de 140 milhões ao próprio ministro), é a expressão do funcionamento adequado do sistema, e não uma

Gustavo Bertoche
4 de fev.6 min de leitura


REPRESONTOLOGIA X REPRESENTOLOGIA: DUAS ABORDAGENS SOBRE AS REPRESENTAÇÕES — UMA CIÊNCIA E SUA IRMÃ FILOSÓFICA
Por Ricardo Cortez Lopes * Você sabia que a Represontologia, embora seja uma ciência autônoma, possui uma irmã filosófica chamada Representologia? Ambas se dedicam ao estudo das representações, mas partem de fundamentos, métodos e objetivos distintos. Compreender essa diferença é fundamental para quem se interessa por epistemologia, comunicação, cognição, cultura e ciência. 1 Origem e fundação A Representologia tem sua fundação nos Estados Unidos, consolidando-se como uma sub

Ricardo Cortez Lopes
28 de jan.2 min de leitura


NÃO HÁ PROGRESSO NAS QUESTÕES HUMANAS
Por Gustavo Bertoche * Não há progresso nas questões centrais do mundo humano. Elas permanecem as mesmas há pelo menos vinte e cinco séculos. * * * É claro que existe progresso tecno-científico. Os meios de produção, de comunicação, de transporte progridem geração após geração. Mas as perguntas de raiz não mudam — as perguntas sobre o cosmos, sobre a comunidade dos homens, sobre os seres humanos; elas permanecem as mesmas porque nós ainda somos os mesmos. Façamos um experimen

Gustavo Bertoche
25 de jan.7 min de leitura


NADA DE NOVO SOB O SOL DA FILOSOFIA: OS PROBLEMAS DE SEMPRE COM NOVAS ROUPAGENS
Por Gustavo Bertoche * Muitos intelectuais acreditam lidar com problemas absolutamente novos, jamais pensados anteriormente — problemas como, por exemplo, a questão da "inteligência artificial", o caráter autofágico da democracia, a proposta do gênero neutro na língua portuguesa. O que os intelectuais do nosso tempo ignoram — devido à sua deficiência cultural — é que esses problemas já eram discutidos, sob outras formas, há milhares de anos. O caso específico da proposta do p

Gustavo Bertoche
15 de jan.2 min de leitura


3 REVOLUÇÕES COPERNICANAS
Por Ricardo Cortez Lopes * No texto de hoje, apresentamos três revoluções inspiradas no modelo das ideias de Copérnico. As chamadas revoluções copernicanas de Kant e Durkheim representam transformações profundas na forma de compreender seus respectivos campos de estudo. Assim como Copérnico alterou a astronomia ao deslocar o centro do universo da Terra para o Sol, esses pensadores também promoveram mudanças radicais ao redefinir o foco de análise em suas áreas. Immanuel Kant

Ricardo Cortez Lopes
15 de jan.2 min de leitura


A EDUCAÇÃO COMO UM FIM EM SI MESMA
Por Gustavo Bertoche * Todos os governos desde a ditadura militar — governos de direita, governos de esquerda — têm concebido a Educação como um meio para o desenvolvimento econômico do país. Mas a Educação é um meio ou um fim? Ora, se pensamos na Educação como um meio, precisamos perguntar: "um meio para que fim?" — ou, simplesmente, "Educação para quê?". Porém, a pergunta "Educação para quê?" é tão ofensivamente absurda quanto as perguntas "justiça para quê?", "bondade para

Gustavo Bertoche
3 de jan.2 min de leitura


SÍMBOLO X REPRESENTAÇÃO: ENTENDENDO AS DIFERENÇAS
Por Ricardo Cortez Lopes * Muita gente confunde representação com símbolo — e não é à toa: os dois conceitos se cruzam o tempo todo no nosso cotidiano. Mas, apesar de relacionados, eles não são sinônimos. Hoje vamos conversar sobre essa diferença a partir de uma visão geral, para que você possa refletir e, se quiser, aprofundar nos comentários. 1 O que é representação? A representação é um sistema que liga algo pensado ou percebido (o referente) a uma forma de expressá-lo. El

Ricardo Cortez Lopes
12 de ago. de 20252 min de leitura


O QUE VOCÊ VAI ENCONTRAR NO FILME "O DESTINO DE HAFFMANN"
Um filme de profundas implicações morais individuais e coletivas. Por Alexandre Gossn * AVISO: esta newsletter trará spoilers, portanto, tens duas opções: i) podes lê-la para assistir ao filme tendo melhor aproveitamento da análise sociocultural (mas perdendo parte da experiência cinematográfica que advém da surpresa) ou salve o texto, assista ao filme e volte para lê-lo e assim ruminar comigo a obra. Imagem 01: Capa do Filme Feito este aviso, sigamos! Nesta película frances

Alexandre Gossn
2 de jun. de 20235 min de leitura


O QUE OS ASSASSINATOS EM SÉRIE NO AMBIENTE ESCOLAR ESTÃO TENTANDO NOS DIZER?
É possível a parte viver à margem do todo? Por Alexandre Gossn * Segundo levantamento feito pela pesquisadora Michele Prado, do Monitor de Debate Político no Meio Digital da USP, os ataques às escolas nos últimos meses superam a violência praticada nos últimos 20 anos. Repito: nos últimos 15 meses, morreram mais crianças e professores no país que em 240 meses! O que está havendo? Essa violência (em números escandalosamente inéditos) não surgiu do nada, tampouco se trata de co

Alexandre Gossn
6 de abr. de 20233 min de leitura


NÃO PODEM DANÇAR AOS ORIXÁS
Por Robson Di Brito * O filósofo prussiano do século XIX, Friederich Nietzsche, em sua obra "Assim Falava Zaratustra", afirmou que só acreditaria num deus que soubesse dançar. É claro que sendo um autor do universo eurocêntrico, Nietzsche angaria credibilidade pela afirmação. E estava provavelmente inspirado nos rituais de Baco, as danças rituais em homenagem ao deus Dionísio são as mais antigas conhecidas na Grécia. Essas práticas de cultos, como o cortejo dionisíaco, foram

Robson Di Brito
30 de mar. de 20235 min de leitura


A AÇÃO HUMANA EM BETTER CALL SAUL E BREAKING BAD
Por Ricardo Cortez Lopes * Breaking Bad (BB) é uma série consagrada já faz muitos anos, e não é sem motivo, já que ela traduz muitas questões humanas para a dramaturgia, constituindo-se na mais legítima manifestação de arte. Better Call Saul (BCS), um spin of (mas que poderia ser considerado uma prequela), acabou de terminar, mas é igualmente impactante e viciante. Mas por que ambos viciam tanto? Vamos ver que eles funcionam como uma espécie de catarse pela característica q

Ricardo Cortez Lopes
23 de mar. de 20235 min de leitura


O MITO NÃO É UM HOMEM
Por Robson Di Brito * Um homem em um púlpito, branco, hétero, cristão e gritando no microfone: "Imbrochável". Uma horda de outros homens repete. Em dado momento o transe toma seu ápice, o bando ecoa de forma assustadora o termo Mito , transformando o ritual em consagração divina do imoral para o moral. Os estudos e ensino das ciências humanas talvez tenham sido o primeiro alvo do ataque ideológico do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores. Não foram poucas as ações

Robson Di Brito
9 de mar. de 20234 min de leitura


FROZEN NIETZSCHE: O CAMELO, O LEÃO E A CRIANÇA
Por Felipe Cazelli * Quando assisti pela primeira vez, com minha filha, ao desenho “Frozen”, da Disney, já tinha sacado que era uma daquelas obras que ofereciam vários níveis de leitura. E vi por aí alguns textos relacionando os acontecimentos da animação a Freud, Jung e inclusive a Nietzsche. Mas nenhum deles promoveu uma associação entre uma certa passagem de Assim falou Zaratustra** que, além de ser de extrema relevância à filosofia do pensador alemão, também se encaixa pe

Felipe Cazelli
4 de fev. de 20235 min de leitura


O ANARCOCAPITALISMO E O COMPLEXO DE ÉDIPO
Por Felipe Cazelli * Aparentemente, ainda faz um relativo sucesso, principalmente entre os mais jovens, essa ideologia identificada como “anarcocapitalismo”. O texto abaixo, eu o escrevi há algum tempo, na minha timeline do Facebook. De lá pra cá, o panorama parece ter se alterado muito pouco, e mais e mais vemos fotos da bandeira de Gadsden flamulando lado a lado com símbolos nazistas. A tal bandeira é aquela que traz uma cascavel enrolada, pronta para o bote, num fundo amar

Felipe Cazelli
4 de fev. de 20235 min de leitura
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