A EDUCAÇÃO COMO UM FIM EM SI MESMA
- Gustavo Bertoche

- 3 de jan.
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Atualizado: 4 de jan.
Por Gustavo Bertoche*
Todos os governos desde a ditadura militar — governos de direita, governos de esquerda — têm concebido a Educação como um meio para o desenvolvimento econômico do país.
Mas a Educação é um meio ou um fim? Ora, se pensamos na Educação como um meio, precisamos perguntar: "um meio para que fim?" — ou, simplesmente, "Educação para quê?".
Porém, a pergunta "Educação para quê?" é tão ofensivamente absurda quanto as perguntas "justiça para quê?", "bondade para quê?", "verdade para quê?". Pensar na justiça, na bondade, na verdade, na Educação a partir de uma posição utilitária é absolutamente não pensar em nada disso — é submeter alguma noção de justiça, de bondade, de verdade e de Educação ao interesse privado de alguém.
A Educação, tomada como a expansão do horizonte de consciência do indivíduo — da consciência a partir de suas circunstâncias para a consciência a partir da perspectiva da humanidade —, somente pode ser compreendida como um fim em si mesmo; educar-se é uma necessidade humana fundamental — e não um meio para que outras coisas sejam obtidas.
Se posta a serviço utilitário do mercado, a Educação deixa de ser Educação e se transforma em algo bem diferente: torna-se mera instrução.
Ao contrário do que os governos das últimas cinco décadas acreditaram, a Educação não deve ser útil ao Estado; pelo contrário, o Estado é que deve ser útil à Educação. E muito menos a Educação deve servir ao mercado; ela deve antes de tudo servir ao próprio ser humano.
* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Filosofia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professor da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).




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