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REPRESONTOLOGIA X REPRESENTOLOGIA: DUAS ABORDAGENS SOBRE AS REPRESENTAÇÕES — UMA CIÊNCIA E SUA IRMÃ FILOSÓFICA

Por Ricardo Cortez Lopes*


Você sabia que a Represontologia, embora seja uma ciência autônoma, possui uma irmã filosófica chamada Representologia?


Ambas se dedicam ao estudo das representações, mas partem de fundamentos, métodos e objetivos distintos. Compreender essa diferença é fundamental para quem se interessa por epistemologia, comunicação, cognição, cultura e ciência.


1 Origem e fundação


A Representologia tem sua fundação nos Estados Unidos, consolidando-se como uma subárea da epistemologia. Seu foco central está na reflexão filosófica sobre o problema geral da representação do conhecimento, dialogando com tradições que atravessam a história da filosofia — da Antiguidade ao pensamento moderno.


Já a Represontologia nasce no Brasil como uma ciência autônoma, voltada especificamente para o estudo das representações enquanto objetos em si mesmos. Ela não se limita a refletir sobre o conhecimento, mas investiga empiricamente a constituição, o funcionamento e o comportamento das representações nos mais diversos contextos sociais, simbólicos e comunicacionais.


2 Diferenças conceituais centrais


Na Representologia, a representação é entendida como um conceito polissêmico, amplamente utilizado em diferentes disciplinas científicas. Em termos gerais, representa a ideia de que algo — um signo, imagem ou conceito — ocupa o lugar de outra coisa. Trata-se, portanto, de uma abordagem reflexiva e conceitual sobre o fenômeno representacional.


A Represontologia, por sua vez, propõe uma ruptura metodológica importante. Ela compreende a representação como um sistema especular simbólico-material, estruturado a partir de núcleos associativos que mobilizam elementos físicos, simbólicos e cognitivos. Nesse sentido, o termo “representação” deixa de ser apenas um conceito explicativo e passa a ser analisado como fenômeno estruturado, dotado de lógica interna, comportamento próprio e capacidade de operar independentemente de seu referente original — podendo, inclusive, substituí-lo simbolicamente.


3 Subdivisões e campos de estudo


A Representologia se organiza principalmente em vertentes como: a) Representologia Filosófica; b) Representologia Cognitiva; e c) Representologia Computacional.


Essas abordagens mantêm forte diálogo com a filosofia da mente, a ciência cognitiva e os estudos computacionais do conhecimento.


A Represontologia, por sua vez, desenvolve subdivisões próprias, tais como: a) Represontologia Referencial; b) Represontologia Estática; c) Represontologia Cinética; e d) Represontologia Elementar.


Esses campos permitem analisar as representações em diferentes níveis de complexidade, movimento, fixação simbólica e interação social.


4 Por que essa distinção importa?


Distinguir Representologia de Represontologia não é apenas uma questão terminológica. Trata-se de reconhecer que o estudo das representações pode assumir dois estatutos distintos: i) um filosófico-epistemológico, voltado à reflexão conceitual; ii) e outro científico-analítico, comprometido com a observação, descrição e interpretação sistemática das representações enquanto fenômenos sociais e simbólicos concretos.


Ao assumir esse segundo caminho, a Represontologia amplia as possibilidades analíticas para compreender como imagens, discursos, símbolos e narrativas passam a organizar percepções, orientar comportamentos e estruturar realidades.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.


INOZEMTSEV, Vladimir et al. Representology in the System of Modern Epistemology. 3rd International Conference on Education, Language, Art and Inter-cultural Communication, v. 40, 2016.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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