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AS LINHAGENS DA REPRESONTOLOGIA

Por Ricardo Cortez Lopes*


Apresentamos, no texto de hoje, um diagrama que reúne os principais nomes da Sociologia durkheimiana e da tradição da Teoria das Representações Sociais no campo da Psicologia Social. É justamente a partir dos cruzamentos entre essas duas tradições que se origina a Represontologia, que segue dialogando com ambas, compreendidas aqui como estudos representacionais.


Imagem 01: Tradições de Origem da Represontologia.
Imagem 01: Tradições de Origem da Represontologia.

O psicólogo social Serge Moscovici formou-se intelectualmente no interior da sociologia do conhecimento durkheimiana, tradição que desenvolveu o conceito de representações coletivas. De modo geral, esse conceito sustenta que produzimos representações próprias, enquanto indivíduos, mas também partilhamos representações formuladas coletivamente, reconhecidas e difundidas entre os membros de uma sociedade — em grande medida, por meio da mídia e das instituições sociais.


As representações sociais, tal como formuladas por Moscovici, podem ser compreendidas como uma segmentação dessas representações coletivas em grupos menores, com ênfase no processo de transformação do não familiar em familiar. É nesse contexto que emergem conceitos centrais como ancoragem e objetivação, fundamentais para compreender a dinâmica representacional em contextos sociais específicos. Embora existam inúmeros autores e debates comparativos aprofundados, aqui apresentamos apenas as diferenças centrais entre essas abordagens.


Moscovici deu origem, de forma direta, a três correntes intelectuais principais derivadas de sua obra. Já Durkheim, por sua vez, não gerou propriamente correntes unificadas — é importante lembrar que ele conviveu intelectualmente com tradições como o weberianismo e o marxismo. Seus herdeiros teóricos passaram a investigar temas bastante distintos entre si, o que dificulta um agrupamento homogêneo. Por essa razão, optamos por organizá-los por gerações. Processo semelhante ocorreu posteriormente entre os moscovicianos, sobretudo a partir da geração seguinte à tríade inicial.


Desse modo, a Represontologia inicia sua trajetória já situada entre duas tradições teóricas consolidadas, inseridas em duas disciplinas relativamente recentes: a Sociologia e a Psicologia Social. Em nossas publicações semanais, temos apresentado e aprofundado a contribuição de cada um desses autores.


A ideia central é compreender esse momento como o início histórico da disciplina. No entanto, é esperado que o futuro traga o surgimento de correntes internas à própria Represontologia, dinâmica que reconhecemos, incentivamos e à qual daremos sustentação teórica e analítica.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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