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PARA ALÉM DOS RÓTULOS POLÍTICOS: NEM DE DIREITA, NEM DE ESQUERDA, MAS CRÍTICO
Por Gustavo Bertoche* Alguém me pergunta qual é, afinal, a minha posição política. A minha resposta não é simples. Não posso me declarar, sem reservas, simplesmente "de esquerda", nem "de direita". Afinal, essas palavras não esclarecem nada: elas não são conceitos, mas centros de afeto — e significam coisas muito diferentes, a depender de quem as usa. Se for necessário classificar a minha situação política em poucas palavras, a minha resposta será: pertenço ao campo crítico —

Gustavo Bertoche
28 de jul.4 min de leitura


A GUERRA DA UCRÂNIA SOB AS SOMBRAS DE SPIDER-NOIR
Por Adriano Gomes* Se tem uma coisa que a gente aprendeu com histórias de super-heróis, é que tudo costuma ser muito prático e organizado: o mocinho usa a roupa colorida, o vilão tem risada malvada, eles brigam, o bem vence, a banda toca e todo mundo vai para casa feliz, como se nada tivesse acontecido. Parece até uma partida de futebol, onde basta saber de que lado é a torcida para já saber quem é o cara certo e quem é o errado. Mas daí aparece o Spider-Noir, e muda tudo de

Adriano Gomes
28 de jul.6 min de leitura


A QUADRA COMO ESPELHO DA SOCIEDADE: QUANDO A DERROTA PRECISA ENCONTRAR UM CULPADO
Por Georgino Jorge de Souza Neto* Tenho acompanhado nos últimos dias, e com bastante preocupação, uma série de postagens nas redes sociais que procuram estabelecer uma relação entre o desempenho da seleção brasileira masculina de vôlei na Liga das Nações e a orientação sexual de alguns de seus atletas. Como professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), onde leciono, entre outras, a disciplina Sociologia do Esporte, esses episódios imediatamente chamaram min

Georgino Jorge de Souza Neto
28 de jul.7 min de leitura


O APRENDIZADO E A ARTE DE QUERER SABER: POR QUE A FORÇA NÃO ENSINA NINGUÉM
Por Adriano Gomes* Diz uma verdade antiga, gravada na nossa mente como uma regra universal: “somente é possível aprender o que desejamos”. E não é que isso é mais real do que qualquer lei da física? Ninguém — repito, ninguém — aprende algo que não queira, que não veja graça, razão, utilidade ou, vamos combinar, um pouco de emoção na história. Desejamos só o que nos parece bom, divertido, prazeroso ou que nos dê alguma vantagem. Resumindo: só damos espaço no cérebro para o qu

Adriano Gomes
28 de jul.5 min de leitura


CIÊNCIA E RELIGIÃO: LINGUAGENS DIFERENTES PARA UMA MESMA REALIDADE
Por Adriano Gomes* Durante muito tempo, difundiu-se a ideia de que ciência e religião seriam inimigas naturais, como se uma precisasse negar a outra para existir. Entretanto, uma observação mais cuidadosa revela que ambas procuram compreender a mesma realidade, ainda que por caminhos distintos. A ciência investiga como o universo funciona, buscando entender as leis que regem a natureza, a matéria, o tempo e a vida. A fé, por sua vez, procura refletir sobre o sentido da existê

Adriano Gomes
28 de jul.4 min de leitura


DA PÓLIS AO IDIOTA: O QUE OS GREGOS AINDA TÊM A ENSINAR SOBRE POLÍTICA E CIDADANIA
Por Adriano Gomes* Ah, os gregos... esses homens de túnica, barba comprida e uma paixão por debater que dava gosto! Eles inventaram tanta coisa que a gente usa até hoje, e uma das maiores invenções deles foi a Política. Mas calma lá, não pense que é a mesma coisa que a gente vê na televisão, com discursos enrolados, promessas que somem mais rápido que dinheiro no fim do mês e aquela briga eterna de partidos. Para os gregos, política era coisa séria, mas também era coisa de ge

Adriano Gomes
28 de jul.5 min de leitura


ENTRE O GOL E O DECRETO: A POLÍTICA ENQUANTO A TORCIDA GRITA
Por Gustavo Bertoche* Os romanos já haviam compreendido: o pão e o circo docilizam a população, direcionando as suas energias agressivas para objetos imaginários — a torcida por um time, as discussões sobre táticas de jogo, as discordâncias quanto aos melhores jogadores. Enquanto os media tradicionais (os jornais, a televisão, o rádio) e os novos media (nas redes sociais) tratam do circo, as autoridades políticas agem sem nenhuma vigilância: para atender aos interesses de seu

Gustavo Bertoche
9 de jul.2 min de leitura


O WHATSAPP É O MAIOR MAL DA HUMANIDADE
Por Georgino Jorge de Souza Neto* O WhatsApp é o maior mal da humanidade (e não estou exagerando). Desconfio que o mundo caminhava relativamente bem até inventar o WhatsApp. É verdade que já havia guerras, pestes, fome, ditaduras, bombas atômicas e gente colocando uva-passa no arroz. Mas tudo isso, visto hoje em perspectiva histórica, parece um ensaio para o verdadeiro apocalipse. O problema do WhatsApp é que ele democratizou o acesso à opinião. Antes, para alguém dizer uma g

Georgino Jorge de Souza Neto
20 de jun.4 min de leitura


DIPLOMAS SEM CAMPUS: O ENSINO SUPERIOR TRANSFORMADO EM SIMULAÇÃO
Por Gustavo Bertoche * Em 2020 as matrículas nos cursos superiores em formato EAD superaram as matrículas nos cursos presenciais. Naquele ano, 56% das matrículas foram feitas para cursos na modalidade virtual. A cada ano essa proporção cresce. Em 2025, dois em cada três novos estudantes do ensino superior optaram pelo ensino à distância. O problema: ao fim de três ou quatro anos, os estudantes EAD receberão um diploma que atestará a obtenção de um grau universitário. Esse dip

Gustavo Bertoche
4 de fev.2 min de leitura


DA CICUTA AO STF: SÓCRATES OUTRA VEZ CONDENADO
Por Gustavo Bertoche * Sobre a exposição da corrupção na Suprema Corte: o STF não é um tribunal politicamente neutro. É, do início ao fim, um tribunal político, sujeito a todas as vicissitudes da práxis política. A corrupção dos ministros, que enriquecem advogando pelas partes que serão julgadas (porque é óbvio que um pagamento de 140 milhões à esposa do ministro é um pagamento de 140 milhões ao próprio ministro), é a expressão do funcionamento adequado do sistema, e não uma

Gustavo Bertoche
4 de fev.6 min de leitura


ÔMEGA: O DIABO QUE REENCARNOU MULHER
Por Lúcia dos Santos Pimenta e Felipe Gruetzmacher * Ed Constantine era um assassino que nasceu com o instinto de destruir. Cresceu em um lar amoroso, mas o amor nunca o domesticou. Começou matando animais. Na adolescência, passou para mulheres. Na idade adulta, buscou na magia a justificativa para o seu apetite cruel. Assim, louco e imprevisível, achava que conseguiria fama e fortuna em rituais mágicos envolvendo assassinatos e canibalismo. Ed preferia moças jovens, pois ac

Felipe Gruetzmacher
2 de fev.5 min de leitura


A DES-EDUCAÇÃO NO BRASIL: A MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR E O COLAPSO DA UNIVERSIDADE
Por Gustavo Bertoche * Desde os anos 90 há um processo de aceleração da des-Educação em curso no Brasil. Esse processo teve início com a mercantilização do ensino superior — e radicalizou-se com o crescimento dos conglomerados "educacionais" administrados por banqueiros ou por grupos estrangeiros. Sob a justificativa da "democratização", as vagas no ensino superior foram multiplicadas — inicialmente, pela abertura de faculdades, centros universitários e universidades particul

Gustavo Bertoche
27 de jan.2 min de leitura


NOTA BAIXA, RISCO ALTO: A URGÊNCIA DE FECHAR CURSOS DE MEDICINA MAL AVALIADOS
Por Gustavo Bertoche * Sobre a recente divulgação da avaliação do MEC sobre as faculdades de Medicina no país: concordo com a posição do CFM. Por mim, os cursos de nota 1 e 2 deveriam ser sumariamente fechados, e os cursos de nota 3 deveriam ser acompanhados de perto. E é absolutamente essencial o estabelecimento de uma prova nacional difícil, nos moldes da prova da OAB, para a obtenção do registro de médico. A qualidade dos médicos (e também dos enfermeiros) formados nessas

Gustavo Bertoche
25 de jan.1 min de leitura


NÃO HÁ PROGRESSO NAS QUESTÕES HUMANAS
Por Gustavo Bertoche * Não há progresso nas questões centrais do mundo humano. Elas permanecem as mesmas há pelo menos vinte e cinco séculos. * * * É claro que existe progresso tecno-científico. Os meios de produção, de comunicação, de transporte progridem geração após geração. Mas as perguntas de raiz não mudam — as perguntas sobre o cosmos, sobre a comunidade dos homens, sobre os seres humanos; elas permanecem as mesmas porque nós ainda somos os mesmos. Façamos um experimen

Gustavo Bertoche
25 de jan.7 min de leitura


QUANDO O K-POP ENCONTRA A LITERATURA
Um olhar sobre o grupo CIX e as referências à Divina Comédia como alegoria para tratar das aflições da juventude e do amadurecimento. Por Suzana Nascimento Veiga * Para mim – como pesquisadora de história social e sua relação com literatura, política e cultura – o K-pop tem sido um campo de exploração muito interessante, e sua linguagem, efetivada em múltiplas formas, um desafio peculiar para entender as possibilidades com as quais ele tensiona a conformação e a resistência à

Suzana Nascimento Veiga
9 de jul. de 202310 min de leitura


O SUICÍDIO DE IDOLS E UMA REFLEXÃO SOBRE O K-POP COMO UMA INSTITUIÇÃO TOTAL
Por Suzana Nascimento Veiga * No dia 19 de abril de 2023 foi noticiado que Moonbin — o idol de 25 anos e membro do grupo de k-pop Astro — foi encontrado morto em sua residência, tendo, provavelmente, tirado a própria vida. Como pesquisadora e fã de k-pop, meu pensamento elabora o que é mais óbvio: a indústria do k-pop e a forma como ela funciona e atinge seus jovens trabalhadores é uma máquina a serviço do capital que esmaga e mói esses jovens, arrasando suas saúdes físic

Suzana Nascimento Veiga
25 de abr. de 202311 min de leitura


A TRISTEZA DAS TRÊS PONTAS DO TRIÂNGULO
Por Thais Klein * ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS! Faz um tempo que gostaria de escrever sobre o filme "Triângulo da Tristeza", de Ruben Östlund – com três indicações para o Oscar de 2023. Finalmente entendo que uma das razões para tamanho impasse consiste justamente no triângulo. Não há saída possível. A crítica se torna um enlatado; a ilha perdida no oceano, uma praia particular de um resort. O filme, dividido em três partes, justapõe-se em uma forma geométrica e nos deixa no cen

Thais Klein
16 de mar. de 20234 min de leitura


UMA PERSPECTIVA FEMINISTA SOBRE O FILME "TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO"
Por Suzana Nascimento Veiga * “Vivemos e morremos como se fôssemos produzidas a partir de bestas, e não a partir dos homens; os homens são felizes e nós, mulheres, somos miseráveis; eles possuem todas as facilidades, descanso, prazer, riqueza, poder e fama, ao passo que as mulheres são incansáveis no trabalho, incessantes e com dores, melancólicas por falta de prazeres, desamparadas por falta de notoriedade” (Margareth Cavendish, Duquesa de Newcastle). A primeira vez que ass

Suzana Nascimento Veiga
9 de mar. de 20237 min de leitura


O FENÔMENO K-POP: UMA REFLEXÃO SOBRE O PODER DE MOBILIZAÇÃO DOS FANDOMS
Por Suzana Nascimento Veiga * Em 22 de dezembro de 2019, uma matéria veiculada pelo site Catraca Livre exibia em letras garrafais o seguinte título: “Governo Chileno alega que K-pop incentivou protestos no país”. A declaração viera do Ministério do Interior, na época comandado por Gonzalo Blumel, que reuniu dados digitais sobre as mobilizações para as grandes ondas de protestos e pedidos de renúncia do então presidente Piñera e concluiu que os fãs de K-pop eram alguns dos pr

Suzana Nascimento Veiga
23 de fev. de 20238 min de leitura


FROZEN NIETZSCHE: O CAMELO, O LEÃO E A CRIANÇA
Por Felipe Cazelli * Quando assisti pela primeira vez, com minha filha, ao desenho “Frozen”, da Disney, já tinha sacado que era uma daquelas obras que ofereciam vários níveis de leitura. E vi por aí alguns textos relacionando os acontecimentos da animação a Freud, Jung e inclusive a Nietzsche. Mas nenhum deles promoveu uma associação entre uma certa passagem de Assim falou Zaratustra** que, além de ser de extrema relevância à filosofia do pensador alemão, também se encaixa pe

Felipe Cazelli
4 de fev. de 20235 min de leitura
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