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DA DEMOCRACIA SUBSTANTIVO À DEMOCRACIA ADJETIVO E VERBO: UMA BREVE HISTÓRIA DOS VALORES DEMOCRÁTICOS
Por Alexandre Gossn* I. A Democracia Substantivo: O Mito Eurocêntrico e as Raízes Ocultas do Sul Global A história oficial da ciência política ocidental sempre sofreu de uma espécie de miopia geográfica: o fetiche de que a democracia nasceu pronta, como uma epifania helênica, na Atenas do século V a.C. Essa narrativa eurocêntrica, contudo, vem sendo contestada de forma resoluta pela antropologia contemporânea e pelas pesquisas oriundas do Sul Global. Como bem demonstra o antr

Alexandre Gossn
12 de jul.5 min de leitura


DEPOIS DA EXTREMA DIREITA... O EXTREMO CENTRO?
Por Alexandre Gossn* As ideologias políticas são brandidas pelos eleitores e cidadãos contemporâneos como se fossem elementos naturais, existentes desde sempre. Como se tivessem nascido com o carbono primordial de nosso planeta, em seus estimados 3,5 bilhões de anos. Mas esquerda, direita, progressismo, conservadorismo ou fascismo não são condições naturais ou pré-existentes da vida humana. São construtos políticos recentes. Bem recentes na trajetória humana. Os primeiros g

Alexandre Gossn
28 de jun.3 min de leitura


MARX AINDA ASSOMBRA O CAPITALISMO: A ATUALIDADE DE UM PENSAMENTO QUE SE RECUSA A ENVELHECER
Por Georgino Jorge de Souza Neto* Poucos livros atravessaram os séculos com a insolência intelectual de Karl Marx. Poucos autores conservaram tamanha capacidade de desconforto. A obra marxista permanece de pé, rejeitando o rótulo de uma utopia derrotada e se consolidando como espelho incômodo erguido diante da anatomia moral do capitalismo. Essa é a sua grandeza: enquanto tantos pensadores envelhecem como móveis antigos, Marx continua produzindo irritação, debate, negação apa

Georgino Jorge de Souza Neto
20 de jun.3 min de leitura


CONVITE PARA PARTICIPAR DE EVENTO DO INSTITUTO PARAJÁS EM PARCERIA COM O DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DA UNIMONTES
Pela Equipe Editorial do Instituto Parajás* O Instituto Parajás, em parceria com o Departamento de História da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), convida estudantes, pesquisadores, professores e toda a comunidade interessada para participar do V Webnário Parajás: Futebol, Cultura e Sociedade, que será realizado entre os dias 25 e 29 de maio de 2026, em formato totalmente online e gratuito. A quinta edição do Webnário Parajás propõe uma reflexão interdisciplin

Instituto Parajás
25 de mai.2 min de leitura


25 DE MARÇO: O DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DA ESCRAVIDÃO E DO COMÉRCIO TRANSATLÂNTICO DE ESCRAVIZADOS
Por Daniel Camurça Correia * A escravidão na Antiguidade e na Modernidade assume formas estruturalmente distintas, tanto em suas justificativas quanto em suas implicações sociais e econômicas. Na Antiguidade clássica, por exemplo em Atenas e Roma, a escravidão estava frequentemente associada a prisões de guerra, dívidas ou condições civis, sem um vínculo sistemático a categorias raciais. O escravizado era integrado a uma lógica social onde laços pessoais e funções diversas co

Daniel Camurça Correia
25 de mar.3 min de leitura


DO ORIENTE NASCE O SOM: ARIRANG E A REINVENÇÃO DA COREANIDADE
Por Suzana Nascimento Veiga* Conheci o BTS durante os meses finais de 2019 e, definitivamente, me tornei Army nos em 2020, quando eles estavam promovendo o álbum BE. Consigo me lembrar com clareza de ver o clipe/MV da música On e pensar que estava diante de artistas geniais. On me tornou Army. Para quem não conhece, o BTS, ou Bangtan Sonyeondan , é um grupo sul-coreano, formado por 7 homens e designado dentro do gênero guarda-chuva do K-pop. O BTS debutou como grupo em 2013 e

Suzana Nascimento Veiga
25 de mar.15 min de leitura


DA CULTURA AO RELÓGIO: A RUPTURA LUHMANNIANA COM PARSONS
Por Williem da Silva Barreto Júnior * O problema da ordem social atravessa a história do pensamento ocidental como uma pergunta insistente: como é possível que indivíduos contingentes estabeleçam vínculos estáveis? Reformulada por Parsons sob o conceito de dupla contingência e radicalizada por Luhmann na teoria dos sistemas, essa questão desloca o foco dos fundamentos normativos para os mecanismos operativos da comunicação. O presente texto examina essa trajetória conceitual,

Williem da Silva Barreto Júnior
28 de fev.5 min de leitura


A CONQUISTA DO VOTO FEMININO E A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NA POLÍTICA BRASILEIRA
Por Daniel Camurça Correia * O dia 24 de fevereiro marca um momento decisivo na história política brasileira: a conquista do voto feminino , formalmente reconhecida em 1932. A compreensão desse marco exige situá-lo em um contexto mais amplo, internacional e nacional, no qual as lutas das mulheres por direitos políticos estiveram diretamente associadas aos ideais de cidadania, igualdade, justiça social e democracia. No cenário internacional, o primeiro país a instituir o voto

Daniel Camurça Correia
28 de fev.3 min de leitura


HISTÓRIA, MODERNIDADE E TEMPORALIZAÇÃO: A TRANSFORMAÇÃO DO CONCEITO DE HISTÓRIA EM REINHART KOSELLECK
Por Williem da Silva Barreto Júnior * A reflexão proposta por Reinhart Koselleck acerca da reconstituição da história parte da constatação de que o seu próprio conceito sofreu uma inflexão decisiva na transição para a modernidade. Não se trata apenas de mudança metodológica ou narrativa, mas de transformação estrutural na forma como o tempo histórico passa a ser concebido, experimentado e articulado. A passagem de histórias fragmentadas para a ideia de uma história singula

Williem da Silva Barreto Júnior
15 de fev.4 min de leitura


DEMOCRACIA EM DISPUTA NA AMÉRICA LATINA: BOLÍVIA E EQUADOR ENTRE O NEOLIBERALISMO E O PODER CONSTITUINTE
Por Williem da Silva Barreto Júnior * Apesar de as democracias contemporâneas enfrentarem ataques severos — sobretudo nos países do Norte global —, diversas experiências oriundas do Sul passaram a formular respostas teóricas e práticas inovadoras voltadas à regeneração do campo político. No contexto latino-americano, tornou-se progressivamente evidente que as liberdades públicas não permaneceriam imunes às ofensivas neoliberais, responsáveis por promover uma abertura irrestri

Williem da Silva Barreto Júnior
27 de jan.5 min de leitura


QUANDO A HISTÓRIA RETORNA COMO ADVERTÊNCIA
Por Georgino Jorge de Souza Neto * Comparar Donald Trump a Adolf Hitler não significa dizer que são a mesma coisa, nem que o trumpismo é o nazismo. Significa reconhecer que certas engrenagens do autoritarismo reaparecem na história com novas roupas, novos inimigos e novas tecnologias. O nazismo não surgiu do nada. Ele se alimentou de ressentimento social, medo, humilhação nacional e da promessa de restauração de uma grandeza perdida. O trumpismo opera em chave semelhante: Mak

Georgino Jorge de Souza Neto
25 de jan.2 min de leitura


NÃO HÁ PROGRESSO NAS QUESTÕES HUMANAS
Por Gustavo Bertoche * Não há progresso nas questões centrais do mundo humano. Elas permanecem as mesmas há pelo menos vinte e cinco séculos. * * * É claro que existe progresso tecno-científico. Os meios de produção, de comunicação, de transporte progridem geração após geração. Mas as perguntas de raiz não mudam — as perguntas sobre o cosmos, sobre a comunidade dos homens, sobre os seres humanos; elas permanecem as mesmas porque nós ainda somos os mesmos. Façamos um experimen

Gustavo Bertoche
25 de jan.7 min de leitura


A LÓGICA DO CURRAL NO BRASIL RACIALIZADO
Por Georgino Jorge de Souza Neto * Estou envolvido em uma pesquisa que exige, como método, trabalho de campo com observação. Sem dar muito spoiler , do muito que tenho observado para a produção dos meus relatos, a questão racial me chama especial atenção. É na rua, na observação sistemática, que o que costumo ler salta para fora das elucubrações teóricas e ganha vida (e pele). Nunca escondi a minha admiração pelo intelectual camaronês, Achille Mbembe. Uma das suas obras que m

Georgino Jorge de Souza Neto
19 de jan.2 min de leitura


AIMÉ CÉSAIRE E O NAZISMO COLONIAL: O ESPELHO QUE A EUROPA QUEBROU
Por Williem da Silva Barreto Júnior * A compreensão da obra Discurso sobre o colonialismo, de Aimé Césaire, exige uma imersão nos complexos conceitos de modernidade, colonialismo e nas correntes do pensamento pós-colonial e decolonial, das quais o autor martinicano é um precursor fundamental. Capa do Livro "Discurso sobre o Colonialismo" (2024), de Aimé Césaire. O texto inicia seu percurso teórico adotando a perspectiva do filósofo Enrique Dussel, que situa o nascimento da m

Williem da Silva Barreto Júnior
15 de jan.3 min de leitura


"O AGENTE SECRETO": A CULTURA NÃO É ORNAMENTO
Por Georgino Jorge de Souza Neto * A vitória de "O Agente Secreto" no Globo de Ouro não é apenas um troféu reluzente a ocupar uma estante. É um gesto simbólico de alta densidade histórica, cultural e política. Num país acostumado a tratar a cultura como ornamento supérfluo (algo entre o entretenimento descartável e a “mamata” imaginária), o reconhecimento internacional de uma obra brasileira reafirma uma verdade antiga e incômoda: cultura é infraestrutura do espírito coletivo

Georgino Jorge de Souza Neto
12 de jan.2 min de leitura


"O AGENTE SECRETO" E A VITÓRIA DA DEMOCRACIA E DO AUDIOVISUAL BRASILEIRO
Por Daniel Camurça Correia * O Agente Secreto (2025) é um filme brasileiro dirigido por Kleber Mendonça Filho, cineasta reconhecido por suas leituras críticas da história e da sociedade brasileira. A obra é protagonizada por Wagner Moura, que interpreta um personagem envolvido em atividades de espionagem e vigilância política. O enredo se passa durante o período da ditadura militar brasileira, em Pernambuco, em contexto marcado pela repressão, censura e perseguição a opositor

Daniel Camurça Correia
12 de jan.3 min de leitura


"EM NOME DO BRASIL, OFERECE-SE O BRASIL": EXEGESE DE UMA PROPOSTA COLONIAL
Por Georgino Jorge de Souza Neto * Existem declarações que dispensam réplica e pedem exegese. A recente sugestão do deputado Nikolas Ferreira, convocando, com a serenidade de quem pede um café numa birosca de esquina, a invasão americana do Brasil com direito ao sequestro do presidente Lula, não é apenas um desvario retórico, senão um pequeno tratado de anti-soberania, desses que fariam corar até os manuais mais cínicos da Guerra Fria. A ideia é engenhosa em sua simplicidade

Georgino Jorge de Souza Neto
5 de jan.2 min de leitura


A REPÚBLICA FOI MESMO SÓ MAIS UM GOLPE?
Por Gustavo Biscaia de Lacerda * Em diversas colunas anteriores escrevemos a respeito do conceito de república, bem como da importância de recuperarmos a experiência histórica da república no Brasil. Esses esforços não são exercícios academicistas nem a satisfação de vaidade pessoal; bem ao contrário, correspondem à necessária e urgente reafirmação de conceitos e práticas que condensam os mais generosos e realistas traços, projetos e aspirações sociais e políticas das socieda

Gustavo Biscaia de Lacerda
3 de jan.5 min de leitura


UMA REFLEXÃO SOBRE CRIMES DE GUERRA E MEMÓRIA COLETIVA A PARTIR DO KDRAMA "A CRIATURA DE GYEONGSEONG"
ALERTA DE CONTEÚDO SENSÍVEL (O TEXTO TRATA SOBRE DIVERSAS FORMAS DE CRIMES DE GUERRA)!!! Por Suzana Nascimento Veiga * Nos últimos cinco anos, a Coreia do Sul tem sido meu alvo de pesquisas. Entre as linhas que busco conectar, sem dúvida, estão a da História e do Audiovisual. O cinema e a TV sempre fizeram parte do meu interesse tanto como hobby , quanto como espaço de debate e discussões sobre as questões sociais e políticas, seja no Brasil ou em outras partes do mundo. No f

Suzana Nascimento Veiga
8 de jan. de 20246 min de leitura


A POBREZA DE EXPERIÊNCIA NO BOLSONARISMO
Por Audi Roberto Rodrigues * Para Walter Benjamin, o que marca a complexa sociedade moderna é uma ambiguidade entre os processos civilizatórios que permeiam nossa realidade. Para tanto, o que ele chama de pobreza da experiência na sociedade moderna é justamente a incapacidade dos indivíduos de narrar suas próprias histórias e singularidades. Nessa ótica, há em relação a esse fenômeno de extrema direita, ao nosso ver, umas certas similaridades dos processos psíquicos dos que B
Audi Roberto Rodrigues
17 de dez. de 20233 min de leitura
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