SEM DESEJO, NÃO HÁ APRENDIZAGEM
- Gustavo Bertoche

- há 4 dias
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Por Gustavo Bertoche*
Um fato da psicologia da Educação: somente é possível aprender o que desejamos.
E desejamos o que nos parece bom, divertido, prazeroso, útil — o que, no fim das contas, faz sentido.
Todos os grandes professores sabiam disso, de Aristóteles a Richard Feynman.
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Quando exigimos que um aluno repita um procedimento que não lhe interessa, cujo sentido não está claro, ocorre a memorização — mas uma memorização associada ao sofrimento. A nossa mente possui seus truques: na busca do bem-estar, logo a memória que liga uma informação a uma dor é devidamente esquecida — e eventualmente bloqueada.
Isto é: quando obrigamos um aluno a memorizar um conteúdo desconectado do seu desejo, fazemos o contrário de ensinar: promovemos a perda das informações, promovemos o bloqueio ao aprendizado. É daí que vem o tão conhecido fenômeno do esquecimento pós-prova: a mente saudável rapidamente elimina, e mesmo bloqueia, o que foi memorizado por meio da coerção.
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Em outras palavras: pela falta de conhecimento do processo de aprendizagem, muitos, muitíssimos professores conduzem os estudantes à impossibilidade de aprender. Enquanto acreditam estar ensinando, na verdade estão ativamente impedindo que qualquer aprendizado aconteça — e acabam por constituir-se verdadeiros obstáculos à Educação.
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O professor precisa conduzir cada aluno a se apaixonar pelo conhecimento que lhe será apresentado. Enquanto cada estudante não desejar aprender aquilo que o professor está prestes a ensinar, nada deveria ser ensinado, porque assim não pode haver real aprendizado. Simples assim.
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– Ah, professor Bertoche, mas eu tenho quarenta alunos em cada turma. Não há tempo para descobrir como despertar a paixão pelo conhecimento em cada estudante.
Amigos, a existência de turmas de quarenta alunos no Ensino Básico é, em si, uma violência. E não se pode pensar a Educação a partir da violência normalizada.
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* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Filosofia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professor da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).
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