IMPERIALISMO BRUTO, PURO E SIMPLES
- Gustavo Bertoche

- 4 de jan.
- 2 min de leitura
Por Gustavo Bertoche*
O plano dos EUA é simplesmente invadir e "comandar a Venezuela por enquanto" ("we're going to run the country for now"), com o propósito simples de tomar-lhes pela força o petróleo (afinal, de acordo com o vice-presidente J.D. Vance, o petróleo da Venezuela pertence aos EUA, e teria sido roubado pelos venezuelanos quando toda a sua produção foi estatizada).
Em outras palavras: eles não sequestraram Maduro para "interromper o consumo de cocaína nos EUA", e muito menos para "restabelecer a democracia venezuelana". Eles absolutamente nunca deram a mínima para a "democracia" em países pobres — nem jamais tiveram qualquer pudor em apoiar os mais sangrentos ditadores, desde que aliados. Por isso, não veremos, após as bombas, "o retorno da democracia" e a normalização da vida social, política e econômica da Venezuela. Veremos uma ocupação militar brutal sem data para terminar, nos moldes de Iraque, Síria e Afeganistão. E mais violenta será a ocupação se os venezuelanos, que já estão armados, resistirem aos invasores. Trata-se de imperialismo bruto, puro e simples.
E a satisfação de parte dos venezuelanos? Eles viram o "ditador Maduro" cair, e ficaram contentes (como muitos iraquianos comemoraram ao saber que o "ditador Saddam" havia caído). Agora, terão de enfrentar o dia seguinte. Ou: eles não sabem o que acontece com os países "comandados" pelas forças militares norte-americanas; "estar contente" não é critério para estabelecer onde está a razão.
O que mais me espanta é que haja brasileiros torcendo para a ocupação norte-americana no Brasil também. Talvez esses brasileiros pró-invasão norte-americana alimentem a fantasia de serem "mais branquinhos", "mais parecidos com eles", e que, quem sabe?, de que até sejam tratados como aliados pelos invasores, como pensava aquele casal de motoqueiros no filme "Bacurau". Esses brasileiros evidentemente não conhecem a História. Por isso, não imaginam que o colaboracionismo sempre é a pior atitude possível: o colaboracionista é detestado pelo nativo e desprezado pelo invasor.
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* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Filosofia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professor da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).



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