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A BOLHA EDUCACIONAL BRASILEIRA: QUANDO A ESCOLA DESCONHECE QUE PODERIA SER DIFERENTE

Por Gustavo Bertoche*


Dos mais altos gestores aos professores, quase todos na escola brasileira ignoram por completo os sistemas escolares dos outros países. O resultado é que consideram o currículo, a organização e as práticas da nossa escola como inevitáveis, incontornáveis, quase que fatos da natureza.


Falta, nas Licenciaturas e na faculdade de Pedagogia, um componente curricular: "Sistemas Escolares no Mundo".


Nessa disciplina, os professores e pedagogos em formação estudariam o funcionamento do sistema escolar em diversos países: Finlândia, Portugal, França, EUA, Coréia do Sul, China, Argentina; eles descobririam que tudo, absolutamente tudo na escola brasileira (do currículo à carga horária anual, da seriação às provas, do dever de casa à quantidade de professores por turma) é contingente e arbitrário — e que está em nossas mãos a possibilidade da criação, a partir de nossas próprias necessidades, de uma escola verdadeiramente educadora.


Infelizmente, os nossos professores do Ensino Básico vivem numa bolha educacional; essa bolha é criada involuntariamente pela ignorância dos professores das Licenciaturas e da Pedagogia.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Filosofia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professor da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).

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