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ESCORIA SOCIAL? O DRAMA DE ESTUDANTES DE PÓS-GRADUAÇÃO DESEMPREGADOS

Atualizado: 7 de mar.



Por Helton Rafael do Nascimento*


O número crescente de alunos que ingressam nos programas de pós-graduação (stricto sensu) tem ocasionado para estes sujeitos alguns desafios como, por exemplo, o de conciliar trabalho e estudo, ou decidir entre focar no trabalho ou nos estudos. Esse dilema mostra-se como um fator crucial para alunos que trabalham ou são incentivados a se dedicar integralmente a seus estudos. Esses desafios evidenciam as demandas e expectativas colocadas sobre os alunos de pós-graduação, tais como renúncias pessoais, apresentações de seminários, participação em eventos científicos e publicação de artigos (COSTA; NEBEL, 2018).


Nesse contexto, muitos alunos desempregados se deparam com o seguinte questionamento: o que fazer quando a bolsa não chega? Outro agravante é que quanto mais tempo uma pessoa permanece desempregada mais difícil se torna para ela encontrar um emprego. Isto se deve à falta de experiência profissional e de competências que acompanham o desemprego prolongado (DIAS, 2013). Além disso, em sua análise, Faro (2013) identificou que quase 60% dos pós-graduandos não trabalham concomitantemente com o curso, ou seja, estão provavelmente desempregados ou dependem de bolsas.


Assim, os desempregados são considerados um custo para a economia, pois não contribuem para a produção de bens e serviços e podem necessitar de apoio governamental na forma de seguro-desemprego e de outros programas de amparo social (a depender da legislação de cada país). Além disso, altos níveis de desemprego podem resultar em estagnação salarial, pois os empregadores têm menos competição por trabalhadores, isto é, menos incentivos para aumentar os salários.


Dados os desafios enfrentados pelos estudantes de pós-graduação desempregados, é importante que os governos e outras organizações forneçam apoio e recursos para ajudar as pessoas a encontrar e manter um emprego. Isso pode incluir programas de treinamento profissional, benefícios de desemprego e outras iniciativas destinadas a melhorar as perspectivas de emprego e promover o crescimento econômico. Ao trabalharmos juntos para enfrentar os desafios do desemprego, podemos ajudar a criar uma economia mais estável e próspera para todos.


Por outro lado, temos um sistema capitalista que demanda cada vez mais mão-de-obra qualificada para produção de "mais-valia"; por outro, temos a mão-de-obra qualificada que não consegue se relocar ou por falta de oportunidade ou de tempo para atender a demanda das produções acadêmicas. Por conseguinte, estes sujeitos ainda tem de enfrentar estereótipos como o de "escória social", pois para sociedade capitalista a produção dos sujeitos deve-se ser atrelada ao trabalho braçal, árduo… e tudo que foge desse modelo laboral imposto pelo capitalismo soa como ameaça a esse sistema, que, como defensiva, ativa seu exército a coagir os que não estão produzindo "mais-valia": os desempregados (TELLES; 1999).

Do exposto, percebo que há uma lacuna bibliográfica de estudos que correlacionem a relação de desemprego de adultos estudantes de pós-graduação e a sua relação familiar à luz do capitalismo industrial. Posto que, muitos filhos, por não terem uma fonte de renda, acabam indo e/ou permanecendo na casa de seus pais, que, sobrelevam o drama do desemprego de seus filhos (DIAS, 2013). Para Nadú, Paiva e Montavoni (2022), ter um filho adulto desempregado pode ter um impacto significativo no bem-estar e na estabilidade financeira dos pais.


Com efeito, os pais com filhos adultos desempregados têm maior probabilidade de sofrer estresse financeiro, pois podem ser obrigados a fornecer apoio financeiro aos filhos. Além disso, ter um filho adulto desempregado também pode levar ao aumento da ansiedade e depressão dos pais, uma vez que eles podem sentir um sentimento de culpa ou vergonha relacionada ao desemprego de seus filhos. Em alguns casos, os pais também podem experimentar um sentimento de estigma social, pois são frequentemente associados ao desemprego de seus filhos e podem ser vistos como tendo falhado em seu papel de pais (PAIS, 2016).


Por fim, as reflexões que trago aqui apontam para a necessidade de universidades e instituições econômicas fornecerem suporte e recursos aos estudantes de pós-graduação (aquém de bolsas de pesquisa e incentivo), no intuito de ajudá-los durante sua busca de emprego, como também para ajudá-los a superar os desafios associados ao desemprego.


REFERÊNCIAS


COSTA, E. G.; NEBEL, L. O quanto vale a dor? Estudo sobre a saúde mental de estudantes de pós-graduação no Brasil. Polis. Revista Latinoamericana, n. 50, 2018.

DIAS, A. D. F. " E Agora?:" O Desemprego de Longa Duração como Gerador de Incerteza e Condicionador do Bem-Estar. 2013. Tese de Doutorado. Universidade da Beira Interior (Portugal).

FARO, A. Estresse e estressores na pós-graduação: estudo com mestrandos e doutorandos no Brasil. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 29, p. 51-60, 2013

NADÚ, H. S. P.; PAIVA, F. V.; MANTOVANI, G. G. Participação dos jovens-adultos no mercado de trabalho: uma análise para o Brasil, Sul e Nordeste, em 2019. Revista de Economia Mackenzie, [S. l.], v. 19, n. 1, p. 115–144, 2022. Disponível em: https://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/rem/article/view/14536. Acesso em: 7 fev. 2023.

TELLES, V. S. Direitos sociais: afinal do que se trata? Belo Horizonte, MG: Editora da UFMG, 1999.



* Pesquisador e Escritor. Mestre em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco.

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