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REPRESONTOLOGIA X ESTUDOS REPRESENTACIONAIS

Por Ricardo Cortez Lopes*


A Represontologia é uma ciência emergente voltada ao estudo das representações enquanto objetos em si mesmas. Diferentemente dos Estudos Representacionais, que analisam as representações dentro de contextos específicos e a partir de múltiplas disciplinas, a Represontologia propõe uma abordagem estruturada, sistemática e autônoma, dedicada exclusivamente à compreensão dos modos de constituição e funcionamento das representações.


Enquanto os Estudos Representacionais se desenvolvem em áreas como Psicologia Social, Sociologia, História, Arte, Mídia ou Literatura — utilizando a representação como ferramenta analítica para investigar outros fenômenos —, a Represontologia desloca o foco para a própria representação. Seu objetivo não é apenas interpretá-la como reflexo de contextos sociais, culturais ou simbólicos, mas compreendê-la como um sistema com lógica, estrutura e comportamento próprios.


Nos Estudos Representacionais, a representação costuma operar como um meio: um recurso conceitual que auxilia na análise de objetos diversos, como identidades, discursos, narrativas ou práticas sociais. Já na Represontologia, a representação é o fim da investigação. Ela é tratada como um fenômeno autônomo, dotado de dinâmica interna, capaz de organizar sentidos, produzir efeitos simbólicos e orientar percepções da realidade.


Outro ponto central dessa distinção está no método. Os Estudos Representacionais adotam metodologias variadas, herdadas das disciplinas às quais estão vinculados. A Represontologia, por sua vez, constrói um método próprio, voltado especificamente à análise da constituição das representações (sua composição interna) e de suas interações no mundo social (seu comportamento externo).


Essa diferença não implica oposição, mas complementaridade. Os Estudos Representacionais continuam sendo fundamentais para compreender como as representações operam em contextos históricos, políticos, culturais e midiáticos. A Represontologia, ao mesmo tempo, oferece um novo patamar teórico: ela busca sistematizar princípios gerais que expliquem como as representações se formam, se mantêm, se transformam e se articulam entre si.


Em síntese, enquanto os Estudos Representacionais perguntam “o que esta representação diz sobre determinado fenômeno?”, a Represontologia pergunta “o que é uma representação, como ela funciona e por que ela exerce tanta força sobre nossas formas de ver o mundo?”. Essa mudança de perspectiva amplia o campo de investigação e inaugura uma ciência dedicada à própria lógica das representações.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Represontologia e estudos representacionais: semelhanças e diferenças. Colirium: Revista de Estudos Representacionais e Represontologia, Porto Alegre, v. 2, n. 1, 2025.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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