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PROFESSOR XAVIER (X-MEN) E A REPRESONTOLOGIA

Por Ricardo Cortez Lopes*


A série Represontologia da Cultura apresenta artefatos culturais analisados por meio da Represontologia, a ciência das representações. O objetivo é expor aplicações conceituais e, ao mesmo tempo, sugerir caminhos de pesquisa para aqueles que desejam trabalhar com a represontologia (quem sabe para publicação na Revista Colirium). Hoje, voltamos nosso olhar para Charles Xavier, personagem central da franquia X-Men.


Charles Xavier, também conhecido como Professor X, é um personagem fictício do universo Marvel, criador e líder dos X-Men. Dotado de uma poderosa habilidade telepática, é capaz de ler mentes, comunicar-se mentalmente e influenciar — ou mesmo controlar — os pensamentos de outras pessoas. Xavier é retratado como um defensor da convivência pacífica entre humanos e mutantes, indivíduos que nasceram com habilidades extraordinárias. Com esse ideal, fundou a Escola para Jovens Superdotados, cujo propósito é educar e orientar mutantes para o uso responsável de seus poderes. Apesar de utilizar uma cadeira de rodas em razão de uma lesão na coluna, Xavier figura entre os personagens mais influentes dos quadrinhos, simbolizando liderança, sabedoria e a luta por direitos civis.


Como se observa, o Professor X é um telepata cuja atuação parte diretamente da mente. A partir disso, é possível identificar alguns elementos simbólicos relevantes: a calvície pode ser lida como a ausência de barreiras entre a mente de Charles e o mundo exterior — à semelhança de certas tradições monásticas, como a dos monges Shaolin —, enquanto a cadeira de rodas sugere que sua verdadeira força está concentrada no plano mental, já que sua mente, em tese, poderia fazê-lo caminhar.


Segundo a represontologia, a representação mental reside no interior da mente individual e se manifesta materialmente por meio da ação humana, com maior ou menor grau de nitidez conforme a proficiência e os recursos do sujeito. No caso do telepata, porém, a representação atua diretamente sobre o mundo. A mente de Xavier formula representações que exercem força imediata na realidade, muitas vezes de modo invisível aos demais personagens. Assim, Charles estabelece uma equivalência entre representação interna e representação externa, o que corresponde a uma das regras fundamentais do método represontológico.


E quanto à sua capacidade de ler mentes, o que a represontologia pode nos dizer? O processo se inicia com uma representação prévia de Xavier acerca do indivíduo que será “desvendado”. A partir dela, ele atravessa as fronteiras da mente alheia, acessando memórias e pensamentos momentâneos, podendo inclusive induzir estados hipnóticos de dentro para fora. Nesse ponto, Xavier subverte o esquema clássico da ação na represontologia: em vez de uma representação externa gerar uma ação que o indivíduo interpreta posteriormente, temos uma representação externa à mente do sujeito que produz a ação diretamente, sem que essa atitude seja previamente armazenada em seu reservatório factual.


Traremos mais personagens dos X-Men para análise? Pergunte ao telepata — e aproveite para sugerir nomes para as próximas leituras represontológicas!





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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