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O QUE EXISTE FORA DA REPRESENTAÇÃO?

Por Ricardo Cortez Lopes*


Perguntar o que existe dentro da representação geralmente causa certo estranhamento entre os estudiosos. Perguntar o que existe fora dela, porém, não causa o mesmo efeito, pois as representações costumam ser utilizadas como instrumentos para investigar outros objetos.


Por exemplo, um teórico das representações sociais trabalha com representações compartilhadas e se interessa, sobretudo, por seus efeitos na constituição dos indivíduos e dos grupos. Nesse caso, a representação é estudada a partir das relações que estabelece com determinados fenômenos sociais.


A represontologia, enquanto ciência das representações, procura responder o que é a representação. Para isso, precisamos compreender tanto aquilo que ela possui em seu interior quanto aquilo que existe em seu exterior.


A primeira dimensão corresponde à composição da representação, tema que já abordamos em outra publicação. A segunda refere-se ao seu comportamento. Afinal, é mais fácil compreender como algo funciona externamente quando observamos sua interação com outros entes. Os interacionistas fazem algo semelhante na sociologia; portanto, não trazemos propriamente uma novidade metodológica.


Existem diferentes modelos teóricos que procuram explicar as interações. A partir deles, já podemos pensar em alguns elementos externos à representação.


No interior da represontologia, o campo que se preocupa com o movimento das representações é a represontologia cinética. Ela procura mapear o deslocamento das representações por meio de suas mídias, pois as mídias entram em circulação carregando determinadas representações.


Quando conseguimos estabelecer esses posicionamentos, podemos comparar as mídias que se movimentaram, observar suas interações e procurar identificar a representação que orientou esse movimento.


Para compreender essa dinâmica, é necessário distinguir alguns conceitos:


  • REPRESENTAÇÃO: sistema que lê uma mídia e a associa a um referente.


  • REFERENTE: aquilo que as representações procuram reproduzir, explicar ou definir.


  • MÍDIA: aquilo ou aquele que carrega uma representação e, por meio dela, procura definir o referente.


  • CONTEXTO: espaço relacional — ou espécie de órbita — no qual as representações circulam e interagem na tentativa de definir o que é o referente.


  • PIVOT: acontecimento ou pessoa de existência física que evidencia a existência do referente. Ao tornar esse referente perceptível, o pivot provoca o surgimento, a circulação e a interação de diferentes representações que procuram defini-lo.


Podemos imaginar, por exemplo, que determinado acontecimento funcione como pivot. A partir dele, diferentes indivíduos, grupos e instituições produzem mídias que carregam representações distintas. Essas representações entram em circulação dentro de um contexto e passam a disputar a definição do referente.


Com base nessa dinâmica e na coleta de muitas interações, podemos pensar teoricamente como a representação se comporta. Isso também permite investigar sua composição externa: existem estruturas de acoplagem entre as representações? De que maneira uma representação se conecta a outras? Externamente, toda representação seria necessariamente “incompleta”?


Estudar o que existe fora da representação significa, portanto, observar seus movimentos, suas mídias, suas conexões e as disputas que se formam ao redor do referente. A representação não circula isoladamente: ela participa de um sistema de relações que também precisa ser investigado.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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