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O ENIGMA DA REPRESENTAÇÃO UNA

Por Ricardo Cortez Lopes*


Como já vimos, a teoria represontológica busca responder o que é a representação por meio de investigações sobre seu comportamento e sua composição. Dessas investigações surgem várias questões a serem respondidas, e uma delas está entre as principais preocupações da represontologia: existe mais de uma representação ou existe somente uma?


Sabemos que essa questão é bastante abstrata. Por isso, vamos tentar explicá-la de maneira didática.


À primeira vista, essa indagação pode parecer inócua, mas não é. Na verdade, trata-se de uma questão muito complexa: depois de décadas estudando a representação, concluiremos que existe uma única estrutura representacional ou descobriremos um verdadeiro catálogo de tipos de representação?


Ainda não possuímos um volume significativo de estudos que permita responder definitivamente a essa questão. Entretanto, temos o direito de refletir sobre ela a partir do material de que já dispomos.


Se houver apenas uma representação — aquilo que chamamos de representação una, única ou meta-representação —, teremos uma situação em que existem apenas conteúdos diferentes ocupando a mesma estrutura representacional.


Nesse caso, ocorreria uma espécie de revezamento de conteúdos. A representação poderia tratar de carros, árvores, animais, pessoas ou grupos sociais, mas sua estrutura interna permaneceria sempre a mesma.


Caberia ao represontólogo estudar como acontece a montagem e a remontagem dessa representação em torno de cada tema, além de investigar de onde provêm os conteúdos que passam a ocupá-la. A representação seria uma única estrutura capaz de receber, organizar e substituir diferentes conteúdos ao longo do tempo.


Mas, se existirem diferentes tipos de representação, o caminho será outro. Nesse caso, precisaremos construir um catálogo ou uma tipologia das representações.


Cada conteúdo poderia originar uma representação própria, posteriormente armazenada pela memória individual. O represontólogo, então, investigaria os diferentes tipos de representação, suas estruturas particulares e a maneira como elas se articulam — ou deixam de se articular — entre si.


Temos, portanto, duas possibilidades principais.


Na primeira, existe uma única representação, cuja estrutura permanece relativamente estável enquanto seus conteúdos são substituídos, reorganizados e atualizados.


Na segunda, existem muitas representações, cada uma ligada a determinado conteúdo ou referente, formando um conjunto que precisa ser classificado e compreendido.


A resposta para esse enigma terá consequências profundas para a represontologia. Se a representação for una, será necessário compreender seu funcionamento geral e os processos pelos quais seus conteúdos são montados e remontados. Se existirem muitas representações, será necessário identificar suas diferenças, formular uma tipologia e investigar as relações que estabelecem entre si.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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