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CLUBE DA LUTA E A REPRESONTOLOGIA

Por Ricardo Cortez Lopes*


A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais analisados por meio da Represontologia, a ciência das representações. Apresentamos obras e ocasiões em que a representação ultrapassa um referente. Os objetivos dessa série são mostrar aplicações dos conceitos e também sugerir temas de pesquisa (quem sabe para publicar na Revista Colirium). Hoje, falaremos do filme "Clube da Luta", baseado no livro de Chuck Palahniuk.


Fight Club acompanha um narrador anônimo que vive uma rotina consumista, solitária e emocionalmente vazia. Sofrendo de insônia e de uma profunda insatisfação, ele conhece o carismático Tyler Durden, com quem funda um clube secreto no qual homens se reúnem para lutar fisicamente como forma de escapar das pressões da vida moderna. À medida que o movimento cresce e se transforma em uma organização cada vez mais radical, o protagonista passa a confrontar questões ligadas à identidade, ao consumismo, à masculinidade e ao sentido da existência. O filme combina crítica social, drama psicológico e reviravoltas marcantes, tornando-se uma das obras mais influentes do cinema contemporâneo.


A ilusão também é um tipo de vitória da representação sobre os sentidos. Afinal, Cornelius não percebia que Durden era outra personalidade sua. E como isso ocorreu? Psicologicamente, é um caso de dupla personalidade. Mas e represontologicamente?


Poderíamos dizer que Durden era um conjunto de representações que foram sistematizadas na figura de um indivíduo, como se fosse uma gestação representacional, e que a cognição de Cornelius as isolou a ponto de elas não compartilharem consciência entre si. Talvez Durden soubesse da ilusão de Cornelius, mas isso seria especulação.


Em teoria, poderíamos questionar se Durden é um indivíduo ou se é apenas uma imagem de Cornelius. Porém, é difícil dizer que o duplo não possui autonomia, pois ele trama planos que a personalidade principal nem sequer cogita, adquirindo, assim, autonomia.


Essas representações se revezavam no comando do corpo biológico, construindo situações que eram registradas na mesma memória, mas que se compartimentavam em distintas representações. Isso nos ajuda a pensar sobre a hipótese da representação una, pois parece que a memória está pulverizada entre essas representações.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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