BREAKING BAD E A REPRESONTOLOGIA
- Ricardo Cortez Lopes

- 3 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de jan.
Por Ricardo Cortez Lopes*
A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais analisados por meio da Represontologia, a ciência das representações. O objetivo é expor aplicações conceituais e, ao mesmo tempo, sugerir temas de pesquisa (quem sabe para publicação na Revista Colirium). Hoje falaremos da aclamada série Breaking Bad.
Breaking Bad é uma série de televisão americana criada por Vince Gilligan que narra a história de Walter White, um professor de química do ensino médio com uma vida modesta e uma família dependente de seu salário. Ao descobrir que sofre de câncer terminal, White vê-se obrigado a buscar uma fonte de renda alternativa para garantir a segurança financeira de sua esposa e de seu filho após sua morte. Em parceria com Jesse Pinkman, um ex-aluno problemático, White passa a produzir e vender metanfetamina, utilizando suas habilidades químicas para criar um produto de altíssima pureza e valor. À medida que a série avança, White se envolve cada vez mais com o mundo do crime, adota a identidade de “Heisenberg” e desencadeia uma série de eventos que alteram de forma irreversível sua vida e a de seus entes queridos. A série explora temas como ambição, moralidade e degeneração do protagonista, oferecendo uma crítica contundente à sociedade americana e ao sistema de saúde.
O momento que abordaremos é aquele em que Hank descobre que Heisenberg — o maior produtor de metanfetamina da cidade — é seu próprio cunhado, Walter White. Tudo ocorre quando Hank encontra, no banheiro de White, um livro com uma dedicatória feita a ele por outro produtor de anfetamina, Gale. O que se instaura nesse instante de plot twist (para Hank) é um trânsito representacional.
Hank nutria uma representação consolidada sobre Walter White, sustentada por diversos episódios embasantes: a profissão precária, a doença, a filha recém-nascida, a inabilidade com armas, a passividade e a auto-repressão. Walter era alguém a ser protegido — sendo a zombaria o sinal afetivo dessa proteção. Como, então, esse homem poderia ser um criminoso tão estrategista quanto Heisenberg, capaz de escapar da polícia com tamanha maestria?
No entanto, White havia deixado pistas ocultadas pelo escândalo — como a bolsa com meio milhão de dólares — que funcionavam como provocações diretas a Hank, justamente porque exploravam a cegueira representacional do policial. Quando Hank se depara com a prova irrefutável, o núcleo da representação Walter ⇋ Proteção se rompe, e os acontecimentos anteriormente registrados passam a ser reinterpretados de modo literal.
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* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.



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