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BEN 10 E A REPRESONTOLOGIA

Por Ricardo Cortez Lopes*


A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais analisados à luz da Represontologia, a ciência das representações. O objetivo é expor aplicações concretas de seus conceitos, bem como sugerir caminhos de pesquisa para quem deseja trabalhar com esse campo teórico (quem sabe para publicação na Revista Colirium). O post de hoje dedica-se à franquia Ben 10.


Ben 10 narra a história de Benjamin Tennyson, um garoto que encontra o Omnitrix, um dispositivo capaz de transformar seu corpo físico — mas não sua mente — em diversas espécies alienígenas específicas. O aparelho projeta um holograma por meio de um modulador analógico e, com um simples acionamento, a transformação é realizada.


Do ponto de vista represontológico, é possível refletir sobre o funcionamento do Omnitrix como um sistema baseado em representações. O que se manifesta nas transformações não é um indivíduo concreto daquela espécie, mas sim uma representação impessoal, composta por características comuns à maioria dos membros da raça: múltiplos braços, capacidade de se tornar uma esfera, força ou inteligência ampliadas, entre outras.


Pode-se ainda teorizar que há uma combinação entre a representação impessoal da espécie e a estrutura do usuário humano, mediada pelo DNA. Essa hipótese ganha força quando observamos que Gwen, prima de Ben, apresenta variações visuais distintas ao utilizar o Omnitrix em determinado episódio. Isso indicaria que o dispositivo não apenas reproduz uma forma genérica, mas a recombina de modo específico ao portador.


Ainda assim, tratar-se-ia de um DNA que não pertence a um indivíduo específico, mas que condensa características de toda uma raça, ao passo que o DNA do usuário operaria apenas como modulador das singularidades humanas. Caso contrário, o resultado seria um ser mais fraco do que aquele efetivamente apresentado na narrativa.


Nesse sentido, o Omnitrix pode ser compreendido como um dispositivo de mediação representacional, no qual coexistem uma representação da raça alienígena e uma representação do indivíduo humano, integradas e recombinadas de forma harmônica. A transformação não é apenas física, mas simbólica, operando no cruzamento entre identidade, representação e potencialidade.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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