ABNORMALITIES E A REPRESONTOLOGIA
- Ricardo Cortez Lopes

- 5 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de jan.
Por Ricardo Cortez Lopes*
A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais analisados por meio da Represontologia, a ciência das representações. O objetivo é apresentar aplicações dos conceitos e também sugerir temas de pesquisa (quem sabe para pubicação na Revista Colirium). Vamos falar hoje da série chinesa Abnormalities.
Abnormalities é uma série antológica de horror e mistério que explora objetos e fenômenos estranhos, sobrenaturais e inexplicáveis espalhados pelo mundo. Cada episódio apresenta histórias singulares envolvendo artefatos misteriosos, criaturas bizarras ou eventos urbanamente macabros que desafiam a lógica e despertam medo e curiosidade. A narrativa gira em torno de um diário chamado “The Dictionary of Bu Si Yi”, que documenta essas anomalias — desde objetos aparentemente comuns que trazem consequências assustadoras até seres ou artefatos que alteram a realidade dos personagens.
O episódio que vamos analisar se chama “Canvas that Comes True”. Esse episódio faz parte da temporada 2 (Abnormalities II) e gira em torno de um objeto anômalo — um armário em que desenhos ou palavras escritos perto dele passam a se manifestar no mundo real. Basicamente, trata-se de uma história sobre realização instantânea de desejos, tal qual Aladdin e Dragon Ball. Mas essas duas utilizam a linguagem falada, enquanto essa história usa a gráfica e tem um final trágico (tal qual Death Note). Como já falamos em outros textos, o desejo ignora o processo de fabricação da mídia e já a oferece sem mediação.
O desenho é a mídia, mas o armário tem a mágica de perceber a representação interna de quem a produziu e traduzi-la diretamente para mídia. Na cena que mostramos, ele estava desenhando uma maçã que existia, a qual foi reproduzida com 100% de grau de nitidez; porém, a nota desenhada depois já era um referente, e não uma cédula individual, o que significa que o armário consegue romper parcialmente com a regra represontológica de que o referente é inalcançável — afinal, é a representação que não consegue representá-lo.
Curso de Introdução à Represontologia: https://www.institutoparajas.org/challenge-page/cc27cc60-1b9a-46f6-8d40-cad208f5a28b?programId=cc27cc60-1b9a-46f6-8d40-cad208f5a28b&participantId=aa1ccc75-5a7a-4ed5-a6a3-681736b3eea6
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* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.



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