top of page

ABNORMALITIES E A REPRESONTOLOGIA

Atualizado: 17 de jan.

Por Ricardo Cortez Lopes*


A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais analisados por meio da Represontologia, a ciência das representações. O objetivo é apresentar aplicações dos conceitos e também sugerir temas de pesquisa (quem sabe para pubicação na Revista Colirium). Vamos falar hoje da série chinesa Abnormalities.


Abnormalities é uma série antológica de horror e mistério que explora objetos e fenômenos estranhos, sobrenaturais e inexplicáveis espalhados pelo mundo. Cada episódio apresenta histórias singulares envolvendo artefatos misteriosos, criaturas bizarras ou eventos urbanamente macabros que desafiam a lógica e despertam medo e curiosidade. A narrativa gira em torno de um diário chamado “The Dictionary of Bu Si Yi”, que documenta essas anomalias — desde objetos aparentemente comuns que trazem consequências assustadoras até seres ou artefatos que alteram a realidade dos personagens.


O episódio que vamos analisar se chama “Canvas that Comes True”. Esse episódio faz parte da temporada 2 (Abnormalities II) e gira em torno de um objeto anômalo — um armário em que desenhos ou palavras escritos perto dele passam a se manifestar no mundo real. Basicamente, trata-se de uma história sobre realização instantânea de desejos, tal qual Aladdin e Dragon Ball. Mas essas duas utilizam a linguagem falada, enquanto essa história usa a gráfica e tem um final trágico (tal qual Death Note). Como já falamos em outros textos, o desejo ignora o processo de fabricação da mídia e já a oferece sem mediação.


O desenho é a mídia, mas o armário tem a mágica de perceber a representação interna de quem a produziu e traduzi-la diretamente para mídia. Na cena que mostramos, ele estava desenhando uma maçã que existia, a qual foi reproduzida com 100% de grau de nitidez; porém, a nota desenhada depois já era um referente, e não uma cédula individual, o que significa que o armário consegue romper parcialmente com a regra represontológica de que o referente é inalcançável — afinal, é a representação que não consegue representá-lo.







* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

© 2018, Instituto Parajás (@institutoparajas)

 

Revista Parajás (@revistaparajas) - ISSN: 2595-5985

Revista Colirium (@revistacolirium) - ISSN: 3085-6655 

Revista IBEFAT (revistaibefat)

  • YouTube - círculo cinza
  • Facebook - círculo cinza
  • Instagram - Cinza Círculo
  • Spotify
bottom of page