top of page

A REPRESENTAÇÃO NÃO É UM FATO HUMANO, MAS UM FATO EVOLUTIVO

Por Ricardo Cortez Lopes*


O fato de a maioria das áreas que estudam a representação pertencer às ciências humanas pode induzir qualquer pessoa a pensar que a representação é um fenômeno exclusivamente humano. Além do mais, certa crença na excepcionalidade humana apresenta a representação como uma evidência do pensamento abstrato e da diferença do ser humano enquanto espécie. A representação física, no entanto, contesta essas duas ideias.


É certo que a representação constitui um meio do caminho entre o pensamento e a ideia. No ser humano, ela conduz o pensamento em direção à ideia. Nos animais, entretanto, a representação assume principalmente uma função de sobrevivência, traduzindo estímulos ambientais sem que exista necessariamente uma reflexão sobre eles, apenas a sua decodificação.


O pensamento representacional provém do cérebro, órgão especializado no processamento de informações. Seres sem cérebro são como reações químicas ambulantes: atraem-se ou se repelem diante daquilo que encontram aleatoriamente. O instinto pode, portanto, ser compreendido como um sistema representacional que procura garantir a sobrevivência e a reprodução — aspecto que deverá ser investigado com mais cuidado no futuro.


Mas o pensamento representacional não existe apenas no cérebro biológico. Pode-se argumentar que a inteligência artificial também opera por meio de representações, ainda que em outro nível. Ela emula a inteligência natural utilizando informações que não provêm diretamente dos sentidos, mas de linguagens computacionais e de dados previamente organizados.


Essa forma de representação, evidentemente, ainda deverá ser investigada. Entretanto, ela já apresenta pontos de convergência com a representação simbólico-biológica, especialmente por envolver a seleção, a associação e o processamento de informações.


A representação, portanto, não é um fenômeno exclusivamente humano. Buscá-la somente nos indivíduos humanos pode limitar as formas de representação que somos capazes de encontrar — e essa limitação também restringe a própria ciência.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

© 2018, Instituto Parajás (@institutoparajas)

 

Revista Parajás (@revistaparajas) - ISSN: 2595-5985

Revista Colirium (@revistacolirium) - ISSN: 3085-6655

Revista Zeitgeist (@revistazeitgeist) - ISSN: 2316-7246

Revista IBEFAT (@revistaibefat)

  • YouTube - círculo cinza
  • Facebook - círculo cinza
  • Instagram - Cinza Círculo
  • Spotify
bottom of page