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A REPRESENTAÇÃO INTERMEDIA O CÉREBRO E A MENTE?

Atualizado: 17 de jan.

Por Ricardo Cortez Lopes*


A representação ainda é objeto de investigação; porém, como já há pesquisas em curso, podemos relatar alguns tópicos. Um deles diz respeito à relação entre cérebro e mente. Conhecemos as discussões da filosofia da mente e sabemos das diferentes posições — não se trata de ignorá-las, mas de oferecer um ponto de vista represontológico.


Como definição mais ampla, o cérebro é o órgão encefálico físico que agrega neurônios, os quais guardam informações. A mente, por outro lado, é um espaço abstrato onde reside a subjetividade do indivíduo e que se gera do cérebro, mas o supera: é o conjunto dinâmico de processos cognitivos, emocionais e simbólicos que nos permite perceber, interpretar e dar sentido ao mundo.


A representação é, ao mesmo tempo, abstrata e sólida: ela não pode (ainda) ser localizada fisicamente no órgão cérebro — possivelmente um dia poderá, mas esse é assunto para outro post. Porém, ela só existe internamente se a mente existe, e tudo isso depende do funcionamento dos neurônios, que se mantêm atuantes por conta do metabolismo. Logo, a representação não é somente simbólica, como afirmam diversas disciplinas dos estudos representacionais: ela também é biológica, e não apenas informacional.


E como ocorre a intermediação? Seria a única intermediação entre mente e cérebro? A segunda resposta ainda não temos, mas a primeira podemos pensar a partir do funcionamento da representação segundo os modelos teóricos atuais.


A representação lança mão de recursos biológicos do cérebro quando acessa informações dos neurônios, resultantes de experiências do aparato cognitivo. Mas também mobiliza recursos simbólicos e lógicos quando deriva regras e descrições do reservatório factual, que são abstrações teóricas profundas e que ditam os contornos da representação.


Logo, a representação traduz esse material de origens distintas e o conjuga no núcleo associativo, montando um mecanismo complexo e frágil, pois esse núcleo pode se desfazer. E, assim, a fronteira da tangibilidade se desfaz na própria representação.







* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Fundador da Represontologia, a Ciência das Representações.

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