top of page

A PREPOTÊNCIA DA REPRESENTAÇÃO: O MITO DA TRANSCRIÇÃO VERDADEIRA

Atualizado: 17 de jan.

Por Ricardo Cortez Lopes*


A sétima regra do método represontológico recebe o nome de prepotência: as representações invariavelmente acreditam que refletem seu referente com perfeição — como se realizassem uma transcrição exata — ou, ao menos, que constituem a descrição mais próxima possível dele. Em outras palavras, uma representação se (auto)compreende como verdadeira, ou mais verdadeira do que as demais que tratam do mesmo referente.


Quando ela se considera a única verdadeira, isso ocorre porque seu núcleo associativo — responsável por vincular a representação ao referente tematizado — encontra-se consolidado e constantemente reforçado por registros armazenados em seu repertório factual. Dessa forma, a representação não vê motivos para duvidar da solidez desse núcleo, relegando abordagens alternativas à condição de “bode expiatório” e interpretando outros estímulos como irrelevantes, silenciando-os.


Já quando a representação admite ser apenas mais verdadeira que outras — numa postura mais relativista —, isso acontece porque ela não rejeita totalmente a eficácia simbólica do reservatório de representações. Ainda assim, não pode considerá-las mais verdadeiras do que aquela que ocupa o núcleo, pois isso a colocaria em estado de trânsito. Afinal, é impossível sustentar como verdadeira uma representação na qual não se acredita.


Convém destacar que o fato de uma representação estar estabilizada não significa que permanecerá assim indefinidamente. Os indivíduos continuam interagindo com outras representações e vivenciando situações que desafiam seu núcleo, o que pode levá-la, eventualmente, a se reconhecer como falsa. Nesse momento, ela entra em trânsito — mas esse é um tema para um próximo texto.







* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

© 2018, Instituto Parajás (@institutoparajas)

 

Revista Parajás (@revistaparajas) - ISSN: 2595-5985

Revista Colirium (@revistacolirium) - ISSN: 3085-6655 

Revista IBEFAT (revistaibefat)

  • YouTube - círculo cinza
  • Facebook - círculo cinza
  • Instagram - Cinza Círculo
  • Spotify
bottom of page