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A IMPORTÂNCIA DO PIVÔ NA REPRESENTAÇÃO

Atualizado: 17 de jan.

Por Ricardo Cortez Lopes*


Como já referimos, a representação é um fenômeno mediado, que não aparece imediatamente aos sentidos humanos e que deve ser investigado por meio de recorrências. Por ser mediada, precisamos de um mediador, e isso nada mais é do que o pivô. Hoje vamos apresentar o que ele é e suas características principais.


Em uma síntese rápida e abstrata, o pivô nada mais é do que aquilo que aciona o funcionamento de uma representação ou a impele a se mover. Sem o pivô, é impossível perceber objetivamente a existência de uma representação, pois ela fica inativa se não for chamada por algo que ela queira considerar um referente.


Concretamente, do que é feito o pivô? Geralmente, o pivô é um intruso destoante: ele é algo inesperado e que promove uma corrida para a decodificação. Às vezes, também, essa corrida é para a definição.


Por isso, podemos falar de duas tipologias de pivô. O primeiro parâmetro de estudo será sobre o comportamento ou a composição da representação. O segundo parâmetro será se o pivô é coletado de maneira inercial ou se é induzido. Nesse primeiro nível, observamos que o objetivo é usar o pivô para estudar o comportamento, e isso consiste em aproximar representações do mesmo referente para, então, conseguir analisá-las. Porém, também podemos estudar a composição, na qual a representação “trabalha”: ou seja, ela vai considerar um referente a um presente (que é a mídia traduzida em informação).


No outro nível, podemos falar de um pivô induzido ou de um pivô inercial. O primeiro se refere a uma atitude um tanto experimental: você vai inserir um estímulo que sabidamente considera o oposto do que as representações simbolizam, e isso vai atraí-las. Por exemplo, você visita um fórum online de pessoas vegetarianas e posta “quem gostaria de comer um bife?”. Você despertará uma série de representações de outros usuários contrários à sua frase, e, nisso, poderá perceber diferentes tipos de vegetarianismo a partir de dois argumentos. Essa explicação é exagerada de propósito, em termos pedagógicos, pois ressaltamos que o pivô não se trata de uma provocação, mas sim da apresentação da ideia oposta em termos respeitosos e éticos.


Porém, nem sempre é preciso induzir um pivô. Muitas vezes, ele ocorre de maneira espontânea: você pode estar acompanhando o fórum e um vegetariano apresentar um posicionamento destoante, que chame a atenção dos outros, e, assim, começa um debate. É possível, também, que algum infiltrado faça um “barulho”.



Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.







* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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