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A DIFERENÇA ENTRE REPRESENTAÇÕES INTERNAS E EXTERNAS

Por Ricardo Cortez Lopes*


Esse tema já foi explorado pela Teoria das Representações Sociais, pelos modelos mentais e, de modo indireto, pela sociologia do conhecimento de matriz durkheimiana — especialmente na distinção entre representações coletivas e individuais. Aqui, porém, apresentamos a perspectiva própria da Represontologia, entendida como a ciência das Representações.


De modo geral, essas abordagens guardam semelhanças, pois partem da posição da representação em relação à mente individual. A diferença central, contudo, está no modo como se compreende a relação entre representação e mídia. Para a Represontologia, a representação se distingue da mídia: a mídia é o elemento visível e sensível, enquanto a representação lhe é subsumida. Já na TRS, a expressão tende a ser tomada como a própria representação — por exemplo, a pintura é compreendida como representação em si, e não como mídia. Nenhuma dessas leituras é incorreta; tratam-se, antes, de enfoques distintos sobre o mesmo fenômeno.


As representações externas encontram-se inscritas — ou, mais precisamente, veiculadas — em diferentes mídias: imagens, palavras, símbolos, gestos, entre outras. São produções deliberadas, dotadas de acabamento comunicacional, realizadas por meio da comunicação humana e apreendidas pelos sentidos. Por não possuírem mais um núcleo associativo vivo (este encontra-se, por assim dizer, “empalhado”), sua interpretação depende frequentemente das representações individuais daqueles que as acessam. Isso não significa que tais representações sejam inacessíveis: para isso, recorremos a outras ciências, como a História, que possibilitam sua contextualização, resgatam parte de sua significação e permitem a apreensão de determinados elementos.


As representações internas, por sua vez, situam-se no interior da mente do indivíduo e não podem ser acessadas por outras mentes sem a mediação de uma mídia e de um processo comunicacional. No âmbito individual, a representação assume uma configuração dependente de seu núcleo associativo (representação → referente), o qual precisa ser constantemente corroborado, sob pena de dissolução ou de trânsito representacional. Assim, não é necessário recorrer aos sentidos para apreender uma representação interna: a mente a formula e a alimenta, ainda que ela possa operar também no plano do inconsciente, sem percepção imediata do sujeito.


Tabela 01: Tipos de representação em relação à mente.

Representação Interna

Representação Externa

Viva e dinâmica

Registro

Mídia: pessoa

Mídia: objetos

Alimentada pela memória

Depende de suporte material

Linguagem própria

Linguagem já estabelecida

Não dependem de outras mentes para existir

Precisam ser decodificadas

Fonte: LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.


O que você acha dessa distinção? Comente a partir de suas representações internas, produza uma representação externa e vamos dialogar.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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