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UMA TEORIA SOBRE O INCONSCIENTE

Por Ricardo Cortez Lopes* e Rafael Amaral de Oliveira**


O inconsciente é uma grande chaga narcisista do ser humano, pois mostra um caminho que a mente humana não consegue racionalizar totalmente, mas apenas naquilo que lhe é possível. Ele acaba sendo uma espécie de “hóspede maldito”, com o qual precisamos aprender a conviver. Mas e se a represontologia apontar para uma possibilidade de entender esse hóspede, em vez de apenas tolerá-lo?


A represontologia vai abordar o tópico naquilo que toca a representação, especialmente no processamento de seus componentes pela cognição. A definição represontológica não lida propriamente com o conteúdo das lembranças, mas sim com a forma como essa informação é chamada, seja reprimida, quando tentamos suprimir uma ideia de forma consciente, ou recalcada, quando algo é jogado no inconsciente e reaparece em situações específicas.


Para Sigmund Freud, o inconsciente é uma instância fundamental da vida psíquica, composta por pensamentos, desejos, traumas, lembranças e impulsos que permanecem fora da consciência, mas que continuam influenciando o comportamento, as emoções e as decisões do indivíduo, tudo isso sem que a pessoa tenha a mínima noção de que está acontecendo. Segundo sua teoria, muitos conteúdos inconscientes são reprimidos por serem considerados inaceitáveis ou geradores de sofrimento, permanecendo inacessíveis de forma direta. No entanto, esses conteúdos podem se manifestar de maneira indireta por meio dos sonhos, dos atos falhos, dos sintomas, das repetições, dos esquecimentos, dos chistes e das associações livres. Dessa forma, Freud compreende o inconsciente como um sistema dinâmico, cuja atuação é essencial para explicar o funcionamento da mente humana e a origem de diversos conflitos psíquicos.


Para Sigmund Freud, o consciente é a parte da mente que reúne os pensamentos, sentimentos, percepções e lembranças dos quais a pessoa tem conhecimento em determinado momento. É o nível da vida psíquica que permite perceber o ambiente, refletir sobre as próprias experiências e tomar decisões de forma consciente. No modelo topográfico proposto por Freud, o consciente é apenas uma das três instâncias do aparelho psíquico, ao lado do pré-consciente e do inconsciente. Embora seja responsável pela percepção imediata da realidade, Freud acreditava que ele representa apenas uma pequena parcela do funcionamento mental, uma vez que grande parte dos desejos, conflitos e motivações que influenciam o comportamento humano permanece no inconsciente, fora do alcance direto da consciência.


A definição represontológica não lida propriamente com o conteúdo das lembranças, mas sim com a forma como esta é chamada em determinadas situações. Para a represontologia, consciente e inconsciente são modos de cognição e processamento de uma representação em função do tempo disponível para sua análise ao confrontá-la com os dados sensíveis. O consciente é uma leitura mais extensa da representação, uma análise comparada, porque a pessoa também está com os sentidos conectados ao ambiente por meio da atenção. Já o inconsciente é uma leitura mais rápida, porque recebe um alerta ou porque os sentidos estão desconectados (no caso do sonho), ficando toda a atenção voltada para a representação, que produz imagens e sons a partir de informações da memória. Ou produz respostas.


Represontologicamente, o inconsciente é fragmentário e inconsistente, pois acessa representações em maior velocidade que o consciente e faz associações automáticas, sem considerar o bode expiatório ou o restante do circuito representacional. É claro que pode haver erros de atribuição, porém a resposta também será rápida.


Já o consciente acompanha o processo representacional de perto, de maneira um tanto racional, fazendo uso dos sentidos e realizando processamentos cognitivos paralelos (que permitem comparações com o núcleo associativo). O inconsciente está preocupado com a luta ou fuga, que pode assumir a forma de uma evitação, e faz a associação muito rapidamente, na tentativa de sobreviver àquela situação.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


** Escritor e Pesquisador. Graduado (Licenciado e Bacharel) em Educação Física (Faculdade Uirapuru / FEFISO). Especialista em Personal Trainer e Musculação (FEFISO) e em Biomecânica da Atividade Física e do Esporte (UNINTER).

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