O SENHOR DOS ANÉIS E A REPRESONTOLOGIA
- Ricardo Cortez Lopes

- há 24 horas
- 2 min de leitura
Por Ricardo Cortez Lopes*
A série "Represontologia da Cultura" apresenta artefatos culturais analisados por meio da Represontologia, a ciência das representações. Nela, exploramos obras e situações em que a representação ultrapassa um simples referente. Os objetivos dessa série são demonstrar aplicações dos conceitos da teoria e, ao mesmo tempo, sugerir novos temas de pesquisa (quem sabe para publicar na Revista Colirium). Hoje falaremos da franquia O Senhor dos Anéis.
A franquia O Senhor dos Anéis, baseada na obra de J. R. R. Tolkien, narra a jornada da Sociedade do Anel em sua missão de destruir o Um Anel, um artefato criado pelo Senhor do Escuro, Sauron, para dominar a Terra-média. Ao longo da história, diferentes povos unem forças para enfrentar essa ameaça, enquanto vivenciam desafios que exploram temas como amizade, coragem, poder e sacrifício.
Entre os personagens mais marcantes está Sméagol, também conhecido como Gollum, um antigo hobbit cuja vida foi profundamente transformada pela influência corruptora do Um Anel. Dividido entre sua antiga identidade e a personalidade obsessiva moldada pelo artefato, Sméagol representa o conflito entre o desejo de redenção e a submissão ao poder.
Sméagol representa a decadência que a busca pela concretização de uma representação — a posse do Um Anel — pode provocar. Entretanto, não é apenas essa busca que produz danos: o próprio Um Anel exerce uma influência corruptora sobre seus portadores, servindo, inclusive, como um alerta para Frodo.
Segundo a Teoria Djenné, uma representação nasce, inicialmente, de um parâmetro, isto é, de uma formulação teórica que passa a ser armazenada e expressa pelo núcleo associativo. A partir desse momento, a forma como esse parâmetro será utilizado dependerá do indivíduo: ele poderá empregá-lo para ler o mundo ou para transformá-lo a partir da representação.
Assim, o indivíduo pode transformar essa representação em um parâmetro para modificar o mundo, como fez Sméagol. Nesse caso, ele escolhe meios para associar-se ao Um Anel, levando em consideração suas próprias limitações físicas. Frodo, por sua vez, interpreta essa situação e procura não se deixar corromper. Ambos agem a partir da representação, mas enquanto Sméagol aceita ser moldado por ela, Frodo busca resistir à sua influência e moldar seu próprio destino no mundo criado por Tolkien.
Curso de Introdução à Represontologia: https://www.institutoparajas.org/challenge-page/cc27cc60-1b9a-46f6-8d40-cad208f5a28b?programId=cc27cc60-1b9a-46f6-8d40-cad208f5a28b&participantId=aa1ccc75-5a7a-4ed5-a6a3-681736b3eea6
Referências:
LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.
Tags: #Representações #Representação #Represontologia #Repraesontologia #Dinossauro #OSenhorDosAnéis #LordOfTheRings #Gollum #Smeagol #Tolkien #Fantasia
* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
.png)


Comentários