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MERCOSUL E OS AFETOS: MOEDA COMUM NÃO É MOEDA EXCLUSIVA.

Atualizado: 10 de fev. de 2023



Por Alexandre Gossn*


A moeda comum é uma forma de integração parcial bem sutil e inicial. Ela não substitui a moeda nacional, não é obrigatória, não envolve necessariamente empréstimos de um país ao outro e muito menos a criação obrigatória de um banco central.


Ninguém está falando em criar um equivalente da União Europeia na América do Sul em 10 dias ou 1 ano. A ideia é lançar o gérmen de uma integração maior, mais efetiva e que permita aos países acessar mercados dentro de si e que a parceria conceda mais coesão e força geopolítica.


Vamos recordar que a União Europeia nasceu da Comunidade do Carvão e Aço, uma incipiente organização que não continha nem 08 países e nasceu de um parto difícil. Levou mais de 70 anos para ser o que é hoje. O Reino Unido, por exemplo (que não a integra mais), só integrou a União Europeia quase 20 anos após o seu nascimento e, mesmo assim, jamais adotou o euro.


Ah, Alexandre, mas e os países muito pequenos e pobres? Bem, Portugal e Espanha eram os países mais pobres da Europa Ocidental e só entraram na UE em 1986. O processo de integração total levou mais de uma década e ambos se beneficiaram muito do ingresso na UE.


Não existe receita pronta e/ou universal: Romênia, Polônia e República Tcheca são países pequenos e optaram por não adotar o euro, mesmo integrando a UE. Já Áustria, Portugal e a República da Irlanda são países diminutos e preferiram adotar a moeda comum.


A UE optou por remover barreiras alfandegárias de quem adere o grupo e exigir comunhão de preceitos políticos, mas não instituiu uma união fiscal. Existem sim preceitos de práticas de responsabilidade fiscal a serem seguidos; e há também um banco central, mas não há união fiscal.


No caso do que se discute inicialmente na América do Sul, não se fala ainda em banco central único, mas meramente uma moeda para as trocas comerciais entre os países e quem sabe para trocas entre o bloco e outros blocos. Cedo demais para concluir qualquer coisa, salvo uma.


Em tribos, bairros, cidades, estados ou países, é melhor seu vizinho ser seu parceiro do que rival. Em geopolítica, andar solitário é se condenar a ser mais fraco que os grupos.



* Pesquisador e Doutorando em Ciências Sociais junto ao Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra, com ênfase em Filosofia Política e Autoritarismos Contemporâneos. Escritor, Mestre em Direito e Advogado.


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