4 VERDADES SOBRE A REPRESONTOLOGIA
- Ricardo Cortez Lopes

- 2 de jul.
- 3 min de leitura
Por Ricardo Cortez Lopes*
É natural que muitas pessoas ainda não conheçam a Represontologia, pois ela é muito recente. Além disso, existe uma tradição bastante antiga de estudos representacionais que já se dedicaram a refletir sobre a representação. Entretanto, desde o momento de sua concepção, a Represontologia vem nutrindo uma profunda reflexão sobre suas bases epistemológicas e metodológicas.
Essa profundidade, porém, ainda levará algum tempo para ser amplamente conhecida pelo público e pelos pesquisadores. O que já está historicamente consolidado são os estudos representacionais, como a Teoria das Representações Sociais, as Representações Coletivas e as Representações Semióticas, entre outros.
Por isso, é importante apresentar alguns pontos simples, desenvolvidos a partir das pesquisas e teorizações da Represontologia. Faremos isso com base em algumas frases-chave.
I) REPRESONTOLOGIA É CIÊNCIA
A Represontologia é formulada e constantemente ajustada como uma ciência que estuda as representações de maneira empírica. Ela investiga, portanto, o comportamento e a composição das representações por meio de um método próprio, construído a partir de regras metodológicas específicas.
Ela já tem estado presente em espaços acadêmicos, como revistas científicas; em espaços editoriais, como a revista Colirium e a publicação de livros; e em espaços formativos, como cursos e aulas.
É claro que ainda há muito a avançar. No entanto, estar presente nesses círculos de produção, formação e consagração do conhecimento já representa um começo importante.
II) REPRESONTOLOGIA NÃO É TEORIA
A concepção de que a Represontologia seria apenas uma teoria ou uma expansão da Teoria das Representações Sociais é, sem dúvida, influenciada pela grande tradição dos estudos representacionais.
Além disso, existe uma área vinculada à representação do conhecimento denominada representalogia, bastante difundida na Rússia. Tudo isso produz uma confusão previsível, mas que pode ser facilmente superada por meio da informação e da formação.
Tal como no ponto anterior, é importante reforçar que a Represontologia possui um objeto próprio e não atua apenas como auxiliar de outra disciplina.
Por exemplo, a Teoria das Representações Sociais auxilia a Psicologia Social na produção de dados e reflexões e é extremamente importante para estabelecer conexões entre indivíduo e sociedade.
A Represontologia também pode trabalhar com outras ciências, mas de maneira simétrica, como um campo que possui finalidades próprias e que considera a representação um objeto de investigação em si mesmo.
III) REPRESENTAÇÃO NÃO É APENAS CONSTRUÇÃO SOCIAL
Esse é um argumento importante, pois muitos pesquisadores tendem a concluir que, por fazer parte da comunicação, a representação seria exclusivamente resultante da interação humana.
Nessa perspectiva, a realidade seria construída durante as interações, e a representação seria convencionada entre os indivíduos. A partir disso, surge a compreensão de que a representação estaria necessariamente subordinada a outras ciências.
Entretanto, a representação não é apenas fruto da interação social. Ela também se assenta em percepções individuais, que envolvem decisões concretas, além de possuir uma dinâmica interna que pode atuar independentemente de seu conteúdo.
Esse tópico, no entanto, merece uma publicação específica, que apresentaremos em um futuro próximo.
IV) REPRESENTAÇÃO NÃO É SÍMBOLO
A representação não é um símbolo, como já abordamos em outras publicações.
Para começar, o símbolo não possui a mesma plasticidade de uma representação, que pode entrar em trânsito em relação ao seu referente. Em outras palavras, a representação precisa ser constantemente “alimentada” ou poderá sofrer modificações.
O símbolo é uma das possíveis mídias da representação. Por isso, não devemos confundir os dois conceitos, sob o risco de reduzir nosso rigor conceitual.
Existem ainda outras diferenças entre símbolo e representação, que já foram aprofundadas em diferentes espaços de discussão.
Curso de Introdução à Represontologia: https://www.institutoparajas.org/challenge-page/cc27cc60-1b9a-46f6-8d40-cad208f5a28b?programId=cc27cc60-1b9a-46f6-8d40-cad208f5a28b&participantId=aa1ccc75-5a7a-4ed5-a6a3-681736b3eea6
Referências:
LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.
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* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
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