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3 CRÍTICAS SOBRE A REPRESONTOLOGIA — E RESPOSTAS DIRETAS

Por Ricardo Cortez Lopes*


Na semana passada, conversamos com um pesquisador da Teoria das Representações Sociais, que nos apresentou algumas críticas à represontologia. Trazemos aqui um resumo dessa treta. O que acham?



Crítica 1:

Não pode haver múltiplas representações sobre um mesmo tema na Teoria das Representações Sociais (TRS).


Resposta:

A represontologia não é uma continuação da TRS. Ela propõe outro caminho: em vez de trabalhar com a noção de “objeto social”, utiliza o conceito de “referente”, ampliando o campo representacional para além do social e permitindo a existência de diferentes formas de representação sobre um mesmo tema.



Crítica 2:

A TRS, especialmente nas formulações de Moscovici e Abric, já explica as variações existentes dentro de uma única estrutura — organizada entre núcleo e periferia. Portanto, falar em múltiplas representações distorceria a teoria.


Resposta:

Não há distorção porque não estamos operando dentro da TRS. A proposta da represontologia é analisar as representações em si mesmas, e não apenas como expressões de grupos sociais. Trata-se de um deslocamento de foco, e não de uma negação da importância da teoria clássica.



Crítica 3:

Retirar a dimensão social descaracteriza a teoria. Além disso, faltaria respaldo acadêmico para a represontologia.


Resposta:


1️⃣ A represontologia não estuda apenas as representações sociais, mas a representação como uma categoria mais ampla.


2️⃣ Historicamente, novas teorias surgem tensionando tradições anteriores. O próprio Serge Moscovici fez esse movimento em relação a Émile Durkheim, que havia formulado o conceito de representações coletivas.


3️⃣ Já existem publicações, eventos e pesquisas em desenvolvimento. Trata-se de um campo recente, iniciado em 2024, e ainda em construção. Obviamente, a TRS possui muito mais publicações e autores. Entretanto, nesse ponto, a comparação é injusta, pois a teoria já possui uma trajetória que remonta ao século XX e se desenvolveu inicialmente na França, país com uma pujante tradição intelectual e histórica posição colonizadora.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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