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UMA ELEIÇÃO DE FLÁVIO É A ASSINATURA DO ÁUDIO ROMERO JUCÁ 2.0 (OU: O ELEITOR DE FLÁVIO NÃO ESTÁ SENDO ENGANADO)

6 de out.
3 min de leitura

Por Alysson Luiz Freitas*


Nunca uma elite política tão grande, poderosa, articulada e envolvida com o crime organizado precisou tanto que um presidente fosse eleito, como é nesse caso do Flávio Bolsonaro.


Essa elite — enrolada até o último fio de cabelo com os escândalos do Master, corrupção no INSS e investigações de orçamento secreto sob comando do Ministro Flávio Dino — precisa, mais do que nunca, da eleição de Flávio. E está disposta, sim, em colocar a democracia, as instituições brasileiras e muitos dos nossos direitos civis conquistados desde 1988 em jogo. Para ela, é um preço muito tranquilo para se pagar, desde que suas cabeças e contas bancárias não sejam colocadas a prêmio.


Esse é o real cenário: todo mundo vai se safar!


Em 23 de maio de 2016 vazou o famoso áudio entre Sérgio Machado e Romero Jucá no contexto do impeachment de Dilma. Lá, eles falavam sobre a necessidade de colocar Temer logo no poder, e buscar um grande acordo para salvar todo mundo, já que a "Lava Jato" estava avançando sobre muita gente. Dou-lhes a palavra: 

Sérgio Machado: “Tem que mudar o governo para estancar essa sangria.”

Romero Jucá: “Tem que ter um pacto nacional, com o Supremo, com tudo.”

Sérgio Machado: “Aí parava tudo.”

 

Sim. A ideia agora é parar tudo de novo. E vão conseguir, caso o último freio de contenção para esse crime organizado dos políticos brasileiros seja quebrado: a eleição presidencial. E com um detalhe: dessa vez o pacto nacional envolve o eleitor. Ele está decidindo por esse pacto, conscientemente. E depois não pode falar que foi enganado. Me poupe...


Tudo que essa galera quer é Flávio eleito, com a Direção da Polícia Federal nas mãos, e com a certeza de que essas investigações terão outro ritmo e outros contornos. Um novo acordão da República se avizinha.


Mas você diria: “os eleitores ‘de bem’ do Flávio não querem isso, eles querem acabar com a corrupção no Brasil... não aceitaremos que essas coisas não sejam investigadas...”. Vamos assumir que isso seja verdade? Então, é só entregar a cabeça de um ministro do Supremo de bandeja, de preferência a do Alexandre de Moraes (que, para mim, junto com Kassio Nunes, já deveriam ter sido afastados da corte há muito tempo) que está tudo resolvido. Pronto! Está feita a justiça contra a corrupção nacional.


O bolo para crescer e para que todo mundo que está envolvido nessa corrupção ganhe o seu pedaço é simples. Flávio só precisa dos seguintes ingredientes:

  • Assume a PF e controla as investigações;

  • Paralisa tudo que envolve o seu nome usando as próprias instituições;

  • Coloca a cabeça de Alexandre de Moraes numa bandeja;

  • Domestica a imprensa dita tradicional (que ainda não compreendeu o que está prestes a acontecer... Ou compreendeu e se faz de sonsa);

  • E põe sua patota de deputados e senadores para ficar gritando contra linguagem neutra, cotas raciais, mulheres que não sabem votar, aborto e liberdades individuais...

 

É só isso que o Flávio Bolsonaro e as elites charfundadas no maior escândalo da história do Brasil precisam. Agora é só conseguir um presidente pra tocar o projeto e derrubar a última barreira de contenção do país.


O eleitor mais “letrado” de Flávio não está sendo enganado. Ela já precificou e aceitou isso. A questão nunca foi a corrupção.





* Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Escritor, Palestrante e Pesquisador.

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