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FULLMETAL ALCHEMIST E A REPRESONTOLOGIA

9 de out.
2 min de leitura

Por Ricardo Cortez Lopes*


A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais analisados por meio da Represontologia, a ciência das representações. Apresentamos obras e ocasiões em que a representação ultrapassa um referente. Os objetivos dessa série são mostrar aplicações dos conceitos e também sugerir temas de pesquisa (quem sabe para publicar na Revista Colirium). Hoje falaremos do anime Fullmetal Alchemist.


Fullmetal Alchemist acompanha a jornada de dois irmãos marcados por um ritual transmutacional desastroso, mas é a presença impecável de Alphonse Elric que confere à história seu peso emocional mais profundo. Tendo perdido todo o seu corpo físico ao tentar trazer a mãe de volta à vida, Al tem sua alma fixada por Edward a uma imensa e imponente armadura de ferro — um contraste marcante entre sua aparência intimidadora de guerreiro e sua verdadeira essência: a de um garoto jovem, gentil, paciente e apaixonado por pequenos animais. Apesar de sua condição trágica privá-lo de sensações básicas, como comer, dormir ou sentir o toque humano, Alphonse atua como o pilar moral e a força serena da dupla, lutando ao lado do irmão mais velho na busca pela Pedra Filosofal, com uma coragem inabalável para recuperar tudo o que perderam.


O grande tema é a representação (armadura) que se faz corpo. O corpo, assim, cronologicamente, vem antes da representação mental. Mas tem mais: as representações mentais de Al seguem intactas, embora seu corpo biológico tenha sumido. Agora é o metal que é movido pelas representações corporais, unidos por mágica, criando a conexão (unilateral).


E isso não é um fenômeno tão inédito assim na medicina: existe o fenômeno dos membros fantasmas, que se refere a sensações de existência de membros já amputados. De fato, o cérebro registrou os comandos (ainda existe a rota nervosa), mas não existe o efeito do movimento. Logo, a representação pode viver, mesmo sem um referente.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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