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DIVERTIDA MENTE E A REPRESONTOLOGIA

há 6 dias
2 min de leitura

Por Ricardo Cortez Lopes*


A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais analisados por meio da Represontologia, a ciência das representações. Apresentamos obras e ocasiões em que a representação ultrapassa um referente. Os objetivos dessa série são mostrar aplicações dos conceitos e sugerir temas de pesquisa. Hoje falaremos de Divertida Mente.


A franquia Divertida Mente (Inside Out), produzida pela Pixar Animation Studios e distribuída pela Disney, é uma série de animações que explora o funcionamento das emoções e sua relação com a memória, a personalidade e o comportamento humano. O primeiro filme, lançado em 2015, acompanha Riley, uma menina de 11 anos cuja vida emocional é representada por personagens que personificam Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho. Em 2024, a sequência Divertida Mente 2 apresentou novas emoções, como Ansiedade, Inveja, Tédio e Vergonha, abordando os desafios da adolescência e a transformação da identidade.


Esses filmes permitem discutir um ponto essencial para a Represontologia. Afinal, um sentimento é uma leitura sobre uma representação, de acordo com a validade desta no confronto com o mundo. Essa avaliação — muitas vezes inconsciente — pode gerar uma reação de luta (defesa), fuga ou congelamento. Os sentimentos giram em torno das consequências dessa leitura. Que tal alguns exemplos livres? Obviamente, não serão aprofundados, mas servem para começar um debate.


A raiva seria a não aceitação de um fato diante de uma representação, gerando uma vontade de ajuste entre ambos (e não o trânsito da representação); a tristeza, por seu turno, estaria associada à crença de que essa representação nunca mudará; o tédio seria a aversão ao mundo, uma vez que a representação exige um dinamismo; a inveja seria a discordância em relação à representação pública de alguém, gerando o desejo de rearranjo de benefícios; a alegria seria o compasso total da representação com o mundo; e a ansiedade seria o receio diante de uma representação construída com poucas informações (que se encontram no futuro).





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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