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REPRESENTAÇÃO, PENSAMENTO E IDEIA

Por Ricardo Cortez Lopes*


Existem pessoas que confundem ideia com representação. Com efeito, a representação precisa das ideias, mas uma ideia não é, necessariamente, uma representação. Outras confundem representação com pensamento, e aí o erro é mais rude. Observemos que a representação é matéria-prima de ambos, mesmo que não os determine.


O pensamento é o processo mais amplo: trata-se da própria atividade da mente, o ato de refletir, imaginar, julgar ou duvidar, tal como pensado na Filosofia. Já a ideia corresponde ao conteúdo desse processo, isto é, àquilo que aparece na mente quando pensamos — um conceito, uma imagem ou uma noção —, sendo entendida por René Descartes como tudo aquilo que está presente no espírito enquanto pensamos.


Em uma definição possível, a ideia nada mais é do que alguma formulação feita pela mente. Ela pode estar certa, errada, ser impensada etc.: é uma formulação com começo, meio e fim. O que a diferencia do pensamento é que este é o processamento cerebral.


A representação, de certa maneira, não está no meio do caminho. Ela tem um núcleo central consolidado e uma estrutura de convencimento complexa, que consegue processar e também chegar a conclusões. Ou seja: será que ela é uma ponte entre o pensamento (o que os animais também fazem) e a ideia (o que apenas os homens fazem)?


A ideia é um sustentáculo da representação, está no armazenamento factual. Ela faz parte da conclusão que corrobora o núcleo central e é uma leitura da realidade.


Assim, a representação é onipotente porque está tanto no pensamento quanto na ideia. Afinal, ela está presente como padrão de processamento da informação, traduzindo o presente em contexto, e, na ideia, está presente na compensação ou na corroboração de um padrão.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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