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JOGADOR NÚMERO UM E A REPRESONTOLOGIA

Por Ricardo Cortez Lopes*


A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais estudados por meio da Represontologia, a ciência das representações. O objetivo é apresentar aplicações dos conceitos e também sugerir temas de pesquisa (quem sabe para publicação na Revista Colirium). Hoje falaremos do filme Jogador Número Um.


O jogo Oasis se vende como uma experiência do impossível no mundo concreto, excetuando-se as funções biológicas, que são feitas pelo corpo do jogador. Fora isso, é possível escolher quais representações se querem expressar por meio do avatar, o que não é integralmente possível no mundo físico, pois dependemos também da combinação de fatores como genética, cultura, recursos e situações.


Aparentemente, o jogo é um sandbox de mundo aberto, com missões e comunidades de interação. Ou seja, é uma mistura de GTA, Second Life e Roblox em uma realidade virtual, mobilizando a propriedade intelectual da cultura pop livremente, ressignificando-a em um mundo social precarizado, menos atraente, e criando eventos agregadores, como a busca das chaves. Sabemos que jogos assim costumam ser de nicho, como é o caso de Roblox, mas, no filme, ele é apresentado como um fenômeno global.


O mundo virtual só existe porque utiliza representações compartilhadas para envolver os jogadores, como no caso das participações de King Kong e Gundam. Isso lembra um pouco as participações especiais de personagens em Free Fire ou o motor gráfico Mugen, mas o Oasis não é colaborativo, e sim controlado por um estúdio.


O protagonista consegue ser percebido externamente por meio do avatar no jogo e reproduzir os sentidos com o uso de uma esteira e de uma roupa especializada, que expressa o que o avatar percebe. Logo, não se trata apenas de mídias visuais, mas também táteis. Isso deixa o jogador imerso e mais seguro, por ter mais informações para a tomada de decisões, aumentando a sensação de realidade, pois o mundo opera por regras próprias (tanto que os protagonistas são atacados no mundo real).





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.



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