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FAMÍLIA DINOSSAURO E A REPRESONTOLOGIA

Por Ricardo Cortez Lopes*


A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais analisados por meio da represontologia, a ciência das representações. Apresentamos obras e ocasiões em que a representação ultrapassa o seu referente. Os objetivos desta série são mostrar aplicações dos conceitos e também sugerir temas de pesquisa (quem sabe para publicar na Revista Colirium). Hoje, falaremos da série "Família Dinossauro".


"Família Dinossauro" é uma série de televisão produzida no início da década de 1990 que combina humor, sátira e crítica social ao retratar o cotidiano de uma família de dinossauros antropomorfizados. Embora apresente situações cômicas, a série frequentemente aborda temas como política, mídia, consumo, meio ambiente e relações familiares.


Por ser uma série de vertente crítica, seu foco está em apontar contradições. Uma delas encontra-se na alienação dos dinossauros, realizada pela mídia de massa, que desconecta o indivíduo da totalidade de sua realidade. A série concentra-se especialmente na televisão, tanto em seu conteúdo jornalístico quanto no de entretenimento.


Nesse mundo ficcional, a televisão lança representações ao público, que imediatamente as assume como verdade no momento em que são comunicadas. Assim, a representação se espalha de forma instantânea e sem resistência, independentemente da realidade circundante. Ou seja, as representações são falsas, mas possuem a força de definir aquilo que é real. Dessa maneira, a representação perde sua função copiatória.


Entretanto, os dinossauros sabem que estão sendo enganados, e essa é uma das bases do humor da série. Eles explicam o mecanismo ideológico e sua intencionalidade, o que cria o efeito cômico, pois escancaram algo que deveria permanecer escondido. Ou seja, adere-se à representação mesmo sabendo que ela é deliberadamente falsa, o que cria um paradoxo: como uma representação reconhecidamente falsa consegue se sustentar e manter o processo representacional? Portanto, a contradição parece possuir uma complexidade maior do que se poderia esperar.





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.





* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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