EXISTE UMA REPRESENTAÇÃO MAIS VERDADEIRA QUE OUTRAS? POSSIBILIDADES DE UMA REPRESENTAÇÃO APLICADA
- Ricardo Cortez Lopes

- há 4 dias
- 2 min de leitura
Por Ricardo Cortez Lopes*
O título apresenta uma pergunta particularmente instigante para pensar a própria representação enquanto objeto de estudo — tal como acontece com a ciência das representações (Represontologia). Trata-se, inclusive, de uma indagação de caráter metafísico: existem representações mais corretas do que outras? Essa é precisamente a questão que mobiliza a chamada representação aplicada, uma subárea voltada a investigar as conexões entre a representação e o seu referente.
É, sem dúvida, intelectualmente estimulante supor que existam representações mais verdadeiras e outras menos adequadas. Essa suposição atravessa, ainda que por caminhos distintos, tanto as reflexões científicas quanto as religiosas, ambas orientadas pela busca da verdade — ou, ao menos, de uma representação que dela se aproxime. Nesse sentido, parece plausível admitir que a represontologia, ao investigar o que a representação é, também se ocupe dos mecanismos que fazem com que determinadas representações “reflitam” melhor ou pior aquilo a que se referem.
Contudo, do ponto de vista da representação considerada em si mesma, trata-se de um tema relevante, mas não central. As regras da represontologia indicam que seu objetivo é compreender a representação independentemente de seu conteúdo específico, o que implica comparar o comportamento e a composição de diferentes representações, dando origem a modelos teóricos. Essas mesmas regras sustentam, ainda, que o referente é, em sua totalidade, inalcançável, sendo justamente essa impossibilidade o que dá origem à multiplicidade de representações. Assim, a teoria geral da representação não precisa, necessariamente, investigar qual representação é mais bem fundamentada em relação às demais. Ainda assim, esse debate pode revelar-se fecundo no âmbito de uma subárea específica, aqui denominada representação aplicada.
Tal como ocorre com os sistemas representacionais, essa discussão envolve preocupações próprias tanto da representação interna quanto da represontologia cinética. De um lado, trata-se de compreender as internalidades da representação em sua relação com o referente; de outro, de comparar representações entre si, estabelecendo possíveis estratificações. É possível constatar, por exemplo, que existem indivíduos cujas condições atuais de percepção são mais desenvolvidas do que as de outros. Não haveria, então, representações construídas por certos sujeitos mais conectadas à realidade empírica do que aquelas produzidas por outros? Quais mecanismos mais eficientes são acionados em algumas representações e não em outras? Para sustentar tal análise, contudo, seria necessário pressupor um referente absolutamente definido e isento de dúvida.
Provavelmente, a discussão se deslocaria para o campo do reservatório factual, isto é, o conjunto de informações sobre o qual a representação se ancora. Nesse contexto, seria possível destacar que duas representações podem compartilhar um mesmo núcleo associativo sem, no entanto, dispor do mesmo reservatório factual.
A questão central passaria, então, a ser a comparação desses reservatórios factuais com o referente, tal como já praticado em análises anteriores. Mas com base em quais parâmetros essa comparação deveria ocorrer? Pelo volume de informações mobilizadas? Por meio de um debate que evidenciasse as fragilidades e potencialidades de cada uma?
Curso de Introdução à Represontologia: https://www.institutoparajas.org/challenge-page/cc27cc60-1b9a-46f6-8d40-cad208f5a28b?programId=cc27cc60-1b9a-46f6-8d40-cad208f5a28b&participantId=aa1ccc75-5a7a-4ed5-a6a3-681736b3eea6
Referências:
LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.
Tags: #Represontologia #Repraesontologia #Representação #Representações #CiênciaDasRepresentações #Represontology #LaboratórioFiccional #RepresentaçãoPrática #RepresontologiaPrática




Comentários