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A REPRESENTAÇÃO SER AUTÔNOMA E MEDIADA É UMA CONTRADIÇÃO LÓGICA?

Por Ricardo Cortez Lopes*


É bastante razoável que questionemos como pode a representação ser mediada e, ao mesmo tempo, independente: afinal, como ser independente estando ligado a alguém? Vamos, então, esclarecer melhor essa aparente contradição.


O fato de a representação ser mediada por uma mídia constitui uma regra do método representativo, que resulta em um recurso de pesquisa capaz de permitir a investigação, a produção de dados e o desenvolvimento de reflexões. Contudo, o objetivo dessa regra é provisório: desejamos, em algum momento, encontrar a representação em si mesma, para estudar de forma mais profunda sua autonomia.


Mas, então, como ela pode ser autônoma se precisa ser mediada? Em teoria, estar mediado significa estar conectado a algo necessário, que funciona como caminho para conhecer ambos. Por essa lógica, a mídia não poderia ser desvinculada da representação. Entretanto, essa afirmação não é completamente verdadeira. Em primeiro lugar, porque, pela definição conceitual e lógica, quando se fala em mídia, referimo-nos a três componentes: aquilo que é mediado, o mediador e quem é “abastecido”.


Se todos ou dois desses elementos fossem uma única coisa, não haveria um processo, mas sim uma transformação. Sob essa perspectiva formal, já é possível pensar na autonomia entre representação e mídia. Contudo, essa autonomia pode também ser comprovada materialmente.


Somos meios de comunicação de nossas próprias representações, que se encontram armazenadas na mente. Não possuímos apenas uma representação, pois temos registros de múltiplos temas. Por exemplo, possuo uma representação sobre vassoura, mas também outras sobre carros, animais, ventiladores e inúmeros objetos, que remetem ao que aprendi, interpretei e julguei ao longo da vida.


Essa separação ocorre igualmente com as representações externas. Um artista midiático possui sua representação e sua materialidade midiática, seja tangível ou não: de um lado, está a concepção original, independente das limitações da mídia; de outro, aquilo que é possível dentro da combinação entre habilidade do autor, material disponível, tempo e condições técnicas. A diferença entre esses elementos gera o grau de nitidez da obra.


Assim, um objeto como o lápis possui a representação que orientou sua construção e o resultado prático, que é o objeto com o qual nossos sentidos entram em contato, marcado por rachaduras, irregularidades e imperfeições. A representação física encontra, de maneira inequívoca, a representação interna, por meio de sua investigação biológica. No segundo caso, entretanto, ainda há avanços a serem realizados, especialmente em conjunto com as Ciências dos Materiais, para estabelecer tais limites.


Como podemos observar, as ciências específicas tendem a concentrar-se no estudo das mídias em si mesmas. Por fim, se existem muitas mídias possíveis para uma mesma representação e muitas representações possíveis para um mesmo referente, como é possível falar em unidade diante de tamanha diversidade?





Referências:


LOPES, Ricardo Cortez. Repræsontologia: fundamentos da ciência das representações. São Paulo: UICLAP, 2024.



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