A ESCOLA, A ALMA E A INVERSÃO NECESSÁRIA
- Gustavo Bertoche

- 9 de jul.
- 2 min de leitura
Por Gustavo Bertoche*
Sócrates descobriu que o homem é psiquê: é a sua consciência, é a sua personalidade intelectual e moral.
Por isso, o núcleo da filosofia socrática é pedagógico: é necessário sobretudo conhecer-se — isto é: conhecer o homem, em sua universalidade e em sua singularidade — antes do início da realização de qualquer projeto de vida.
Sob a perspectiva socrática, o erro da nossa pedagogia consiste no fato de que ela ensina ao homem as coisas humanas, mas não sabe o que é realmente o homem; assim, dificilmente gera algum efeito realmente educacional.
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Eis o problema fundamental da nossa escola, do nosso currículo, dos nossos professores: na instituição escolar ninguém nunca pergunta o que é o ser humano; por conseguinte, ninguém é capaz de enxergar a singularidade de cada estudante — com seus talentos, sua vocação, seus sonhos.
Assim, em lugar de promover a humanidade do homem, a escola de nosso tempo reduz o homem ao cidadão, ao consumidor, ao "recurso humano": ao animal bem adestrado para produzir riqueza para outrem.
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Se quisermos que a escola brasileira cumpra uma função efetivamente educacional, precisamos abandonar a crença segundo a qual a formação escolar deve ter a finalidade de desenvolver a economia nacional — a suposição de que a formação do homem deve ter, em primeiro lugar, uma função econômica.
É necessário inverter os termos.
A escola não deve servir à economia. É a economia que deve servir à escola.
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* Escritor e Pesquisador. Doutor, Mestre e Graduado em Filosofia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professor da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).
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